Para Pansar

COMO (E ONDE) COMPRAR ROUPAS COM A CONSCIÊNCIA TRANQUILA #FASHIONREVOLUTION

24 de abril de 2017

Desde 2013 eu venho praticando o desapego, vivendo uma vida mais minimalista e estudando sobre o assunto. Quando estive no SXSW em 2015, fui a uma palestra que falava sobre como a indústria da moda estava mudando e fiquei sabendo de um documentário que seria lançado naquele ano sobre as consequências do consumo desenfreado e do fast fashion.  

Assisti ao documentário assim que ele foi lançado e ele está disponível no Netflix. Eu acho ele obrigatório para quem ama moda, mas também se preocupa com o que está além do próprio umbigo.

Uma das coisas que mais me chocou enquanto estava assistindo foi uma tragédia que aconteceu em uma fábrica em Bangladesh no dia 24 de abril de 2013. Foram 1.138 trabalhadores mortos, vítimas de uma irresponsabilidade sem limites e outras centenas de feridos.

Como uma espécie de homenagem a esses trabalhadores, nasceu um movimento criado por uma comunidade sem fins lucrativos chamada Fashion Revolution. Eles entendem que a moda tem uma influência positiva, mas ao mesmo tempo, examinam as práticas da indústria e levantam questões pertinentes sobre ética e sustentabilidade na produção das nossas roupas, mostrando que cada um de nós tem um papel importante nesse processo de mudança.

Eles não apontam o dedo para nenhuma empresa específica ou fazem qualquer tipo de protesto negativo contra marcas e sim, focam em quem está fazendo a diferença trazendo soluções para a indústria e também encorajam o consumidor a ser mais curioso e mais ativo, questionando sempre!

Uma das iniciativas dessa comunidade é a Fashion Revolution Week que acontece de 24 a 30 de abril e tem como objetivo criar um diálogo entre marcas e consumidores para gerar consciência sobre quem faz as nossas roupas. Várias palestras e eventos gratuitos estão sendo organizadas no mundo inteiro, é só dar uma olhada no site e ver o que está rolando na sua cidade AQUI!

A ideia é que a gente questione as marcas que usamos postando uma foto da etiqueta com a hashtag #quemfezminhasroupas

Se você não puder participar, mas quiser saber mais sobre esse movimento, pode fazer o download do guia COMO SER UM REVOLUCIONÁRIO DA MODA.

MARCAS CONSCIENTES

O que eu mais amo na filosofia minimalista é: TER MENOS PARA PODER INVESTIR NO MELHOR. Desde que eu comecei a viver dessa forma eu tenho prestado muita atenção na qualidade, tecido, acabamento e também na ética por trás das roupas que eu uso. Onde elas são feitas, em que condições, por quem?

E para inspirar vocês, vou listar algumas marcas que eu gosto e consumo e que estão num caminho que eu acredito ser o mais próximo dos meus valores:

EVERLANE 

Eu conheci essa marca em 2015 fazendo uma pesquisa no Google sobre roupas básicas de qualidade. Fiquei impressionada com a proposta deles e com a maneira extremamente transparente e próxima com que eles se comunicam com o consumidor. Você consegue saber todos os detalhes sobre a produção, desde a localização das fábricas até o valor de cada etapa do processo.

As peças são feitas com tecidos nobres, tem um acabamento impecável e um preço justo. As coisas que eu mais amo deles são os cashmeres que são lindos, bons e têm um preço excelente comparado com qualquer outra marca ($100) e as camisas de seda!

SÉZANE

Eu sou totalmente apaixonada por essa marca francesa. O conceito também é produzir peças bem cortadas, em tecidos nobres por um preço justo. A maioria das roupas são produzidas na Itália, França, Portugal e Espanha e o preço é bem mais em conta comparada a outras marcas com a mesma qualidade. Eles também conseguem isso por concentrarem todas as suas vendas pelo site. 

O que eu mais gosto sobre eles é que as peças são clássicas, mas não totalmente básicas. Eles mudam a cada coleção, mas sempre pensando em peças duráveis e atemporais, sem se preocupar com as tendências.

CUYANA

Essa marca, além de roupas, também fazem artigos de couro com uma qualidade incrível e produzidos de forma ética. As peças são lindas e muito bem acabadas. Eu não comprei nada deles, porque não estou precisando, mas estive em uma loja pop-up que eles abriram no SoHo e pude checar de perto a qualidade e caimento das peças. Não vejo a hora de precisar de algo para poder comprar! As bolsas são comparadas a qualquer marca de luxo, mas custam 1/4 do preço.

REFORMATION

Eu também sou apaixonada por essa ?! Eles desenham e fabricam grande parte das peças em Los Angeles. As demais, são produzidas por parceiros nos EUA ou no exterior usando métodos e materiais sustentáveis. Eles usam tecidos reciclados, roupas vintage e também incorporam as melhores práticas em toda a cadeia de suprimentos para que causem uma fração do impacto ambiental da moda convencional.

No site você pode ver as emissões de carbono e quantidade de água utilizada para produzir cada peça que você está comprando. Eu tenho um vestido deles que eu amo demais. Além de lindo, ele veste muito bem.

PATAGÔNIA

Uma das primeiras empresas a levantar essa bandeira de sustentabilidade e de uma produção mais consciente do ponto de vista dos materiais e também da mão de obra. Todas as informações sobre os fornecedores e os materiais estão no site com total transparência e eles criara um programa de manutenção vitalícia das peças chamado “Melhor Do Que Novo” e fazem quantos reparos forem necessários para que você não precise comprar uma peça nova. 

Para finalizar, queria deixar claro que eu não sou radical e sou contra qualquer tipo de radicalismo. Só acho que podemos ser mais conscientes em relação ao que consumimos e, sempre que possível, fazer nossa parte para que possamos viver em um mundo mais justo.

Marcas sustentáveis nem sempre são baratas, mas geralmente seus produtos são atemporais, tem uma qualidade melhor e duram mais. Eu entendo que existem muitas pessoas que não podem investir tanto dinheiro em uma única peça e precisam comprar suas roupas em lojas de fast fashion e não existe problema nenhum nisso. O importante é sempre comprar com consciência e por necessidade e não porque está na moda ou baratinho.

A Fashion Revolution acontece por meio de uma mudança de mentalidade e isso não significa apenas trocar as marcas de roupas que usamos, até porque, se continuarmos comprando em excesso, mesmo que de marcas sustentáveis, também não estaremos contribuindo de forma positiva.

Sei que muitas de vocês vão sentir falta de marcas brasileiras nessa lista. Infelizmente, eu comecei a me interessar por esse assunto quando me mudei do Brasil e, embora eu conheça algumas marcas, não posso dizer com propriedade sem nunca ter visto ou usado uma peça. Da mesma forma que tenho uma lista enorme de marcas americanas e européias, mas porque não conheço tão bem, não coloquei elas aqui porque não gosto de recomendar produtos que não testei pessoalmente. Mas, se vocês conhecerem marcas brasileiras legais com a mesma pegada, me contem nos comentários? Eu não só vou amar saber, mas pode ser muito útil para quem está procurando e ainda não encontrou.

Poderia passar o dia todo falando sobre esse assunto, mas aos poucos a gente vai conversando!

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11 Comments

  • Reply Carina Castanha 24 de abril de 2017 at 23:14

    Oi Fê! Amei o post! Não conhecia esse movimento da moda!
    Ansiosa pelo vídeo sobre o seu guarda-roupas! Depois que te conheci (lá no snap!!), e comecei a me informar através do seu blog e agora com seus vídeos objetivos_ porém recheados de informações úteis, já mudei horrores o modo como consumo tudo. Isso que sempre avaliei minhas compras! Mas, a partir do seu ponto de vista, estou transformando o meu olhar, tornando-o mais coerente com o que desejo para a humanidade. Adoro você, menina! Beijo grande! #soudogrupo

    • Reply Fe Neute 21 de maio de 2017 at 13:04

      Que felicidade ver pessoas do #grupo aqui! Obrigada e sempre me inspira saber que o que eu faço move vocês de alguma forma <3

  • Reply Anmali 25 de abril de 2017 at 14:39

    Ótimo post! Mas realmente, e como você havia previsto, senti falta de marcas brasileiras aí no meio. Nada mais sustentável do que valorizar a mão de obra do seu próprio país. Também aguardo dicas de outros leitores! 🙂

    • Reply Fe Neute 21 de maio de 2017 at 13:03

      Sim, super concordo, mas eu não moro no Brasil já faz 4 anos e fica difícil acompanhar o que as marcas estão fazendo e também recomendar marcas que eu nunca usei! Uma pena que as marcas também não entregam os produtos fora do Brasil.

  • Reply Talita 27 de abril de 2017 at 06:59

    Adorei o texto, claro explicativo sem ser cansativo, uma pena as indicações serem apenas de lojas internacionais, porém curiosa para encontrar marcas brasileiras bjuss?

    • Reply Fe Neute 21 de maio de 2017 at 13:00

      Pois é! Adoraria conhecer marcas brasileiras com essa pegada também! Quem sabe quando eu for passar férias no Brasil? 🙂

  • Reply joao 1 de maio de 2017 at 00:08

    Legal 🙂

  • Reply Bernadete Maia 16 de maio de 2017 at 19:35

    Eu não lembrava dessa tragédia de 2013. Infelizmente divulgá-la significa ir contra a indústria que domina o que chega aos ouvidos da grande maioria, ou seja, financiadora dos veículos de informação de massa. Obrigada por nos sensibilizar e dizer que esse debate existe, e o mais importante, sem radicalismo. Trata-se de entender que a industria da moda sustenta-se porque vivemos num sistema de demandas e consumo. Numa abordagem mais sociológica da questão, o avanço tecnológico, como em outros setores, precariza o trabalho para beneficiar a demanda pelo consumo, como é o caso da exploração de minérios, também sustentado por essa lógica. É irreversível, mas não é por isso que não podemos fazer escolhas e problematizá-la.

  • Reply Juliana Nunes 22 de maio de 2017 at 12:46

    Olá Fê! Adorei o post, venho estudando muito o consumo consciente e seu blog é meu maior incentivador!!! Eu moro em Curitiba, e conheci recentemente a marca Inaá (inaa.net.br), a própria dona produz as peças uma a uma com tecidos de qualidade e também opta por itens da moda mas com uma repaginada bem atemporal, o que é ótimo! Acho que vale a indicação para quem é do Brasil conhecer. Ainda estou em busca de outras marcas, pois essa que encontrei não tem de “todos” os tipos de peças, como por exemplo, casaco de frio (que estou realmente precisando). Desde que comecei esse meu novo estilo de vida, cada dia me sinto mais feliz! Seu textos me ajudam MUITO! Um abraço.

  • Reply Lucas Dantas 23 de maio de 2017 at 15:31

    Fê, uma marca que tenho me interessado (por ser minimalista) é a basico.com (www.basico.com). Não sei como é essa questão da produção de suas peças, mas a proposta é interessante.

    • Reply Fe Neute 31 de maio de 2017 at 13:27

      Eu pesquisei sobre ela e achei a proposta muito legal! Só não coloquei aqui porque ainda não vi as peças ao vivo e nem usei, mas é bom saber. Quando for para o Brasil eu vou comprar uma para testar. Obrigada pela dica!

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