Felicidade

O PRIMEIRO CABELO BRANCO

9 de janeiro de 2014

Estou arrumando os cabelos quando, sob o efeito da luz do Sol, eu posso vê-lo se destacando quase como um holofote em meio às minhas madeixas castanhas escuras. Sim, o meu primeiro cabelo branco.

O primeiro impulso foi gritar como se eu tivesse visto uma barata, afinal, senti um gelo na espinha similar ao que o inseto me causa. O segundo, obviamente, foi arrancá-lo, como se isso fosse fazer o inevitável parar de acontecer. Mas pelo menos, consigo me enganar por alguns, eu espero, meses.

Existem dezenas de outras coisas que me lembram todos os dias que o tempo está passando. Os aniversários, os bebês que eu vi nascer quando eu já estava na faculdade e hoje estão quase indo para a faculdade, a minha irmã mais nova, o meu Instagram cheio de fotos de casamento e crianças. Mas, por algum motivo, esse longo fio de cabelo branco fez com que, pela primeira vez em 32 anos, eu sentisse que estou… envelhecendo.

Eu sei que você deve estar achando um exagero, afinal, eu tenho 32 anos. Só que este cabelo, que hoje nem está mais na minha cabeça, foi um lembrete de que o tempo é implacável e não existe como passar por ele sem marcas.

Isso me fez pensar em uma das brilhantes passagens do filme EU MAIOR, em que o filósofo Mario Sergio Cortella fala um pouco sobre a importância de não se ter uma vida pequena:

Além das marcas que deixa quando passa, o tempo também leva com ele, todos os dias, um pedacinho dessa coisa maravilhosa que é a vida. Acho que por isso é tão difícil envelhecer.

O problema de ficar velho não são os cabelos brancos, as rugas, o peito caído ou as manchas nas mãos. Envelhecer é um sinal de que estamos cada vez mais perto da morte.

“Não tenho medo de morrer, tenho pena.”
– Chico Anysio

Tem gente que lida bem com isso. Percebi que não vai ser fácil para mim. Mas, quero trabalhar cada vez mais para que cada dia vivido seja um dia somado e não subtraído da minha vida.

Não quero olhar para o espelho, no dia em que o reflexo vai pouco parecer com a pessoa que eu sou hoje por fora, e pensar que eu poderia ter trabalhado menos, amado mais ou ter sido mais feliz. Quero ter a certeza de que todas aquelas rugas, manchas de Sol e cabelos brancos (provavelmente tingidos, é claro) são marcas de uma vida muito bem vivida.

Mas hoje, só hoje, quero é fingir que esse cabelo branco nunca existiu, posso?

Imagem: Gianluca Fallone

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21 Comments

  • Reply Maria Antonieta 9 de janeiro de 2014 at 12:01

    Ah Fê, que lindo! Esse texto me retratou tanto, principalmente a parte final, meus olhos se encheram de lágrimas! É bem isso o que é envelhecer…

  • Reply Camis 9 de janeiro de 2014 at 12:40

    é exatamente isso… daqui 4 dias completo 30 anos. já vi uns 5 fios brancos na minha cabeça e passei por um breve desespero com a proximidade da data… medo de passar por esse mundo sem ter vivido de verdade, sensação de que o cronometro tá roubando, indo mais rápido : (

  • Reply Bruna 9 de janeiro de 2014 at 13:28

    Penso muito nisso tambem, Fernanda. Acho que os dois ultimos anos eu vivi meio que no “piloto automatico”, deixando as coisas simplesmente acontecerem. Que bom que tomei, de novo, as rédeas da minha vida e renasceu em mim o desejo de aproveitar cada segundo dessa existência!

  • Reply Cintia 9 de janeiro de 2014 at 14:07

    Sabe que ultimamente tenho pensado bastante nisso? Não por ter encontrado um cabelo branco – tenho muitos há muito tempo, tintura neles! – mas por estar a poucas semanas de completar 40 anos. Tive uma crise forte aos 30, com direito a crise existencial e tudo, de achar que estava só perdendo tempo e todo o resto do mundo passando a perna em mim (FOMO no último grau). Não tinha namorado, não tinha casa própria, não tinha viajado o suficiente, não tinha roupas e sapatos legais, enfim, pacote completo. Passou, muita água rolou na última década, e cá estou prestes a completar 40 e, sinceramente, sem nenhuma crise. Aliás, me prefiro hoje, com meu corpo de hoje (meio judiado por duas gravidezes e inúmeras noites sem dormir), minha cabeça de hoje, minha falta de carreira de hoje. Está certo que conquistei algumas das coisas que me faziam falta aos 30, tenho um relacionamento ótimo, duas fofurices, uma casa própria (e uma dívida gigante). Tenho outras dúvidas, outros medos, mas agora cada dia que passa é – como na sua descrição, tão bem escrita – um dia somado, e não subtraído do resto da vida. Cada dia vivido me lembra que não, não tenho tudo que sonhei, mas tenho um monte de outras coisas que nem cheguei a desejar e me trazem tanta realização.
    Também não lido bem com o envelhecimento, tenho horror de pensar nas limitações físicas que poderão vir, na dependência de outras pessoas, nas doenças que podem vir a me tirar a sanidade e a memória. Mas pensar nisso não me traz nada de bom, então deixo pra lá e sigo vivendo.
    Quanto à sua pergunta, a resposta é sim, pode sim ignorar o cabelo branco por hoje…

    • Reply Fê Neute 9 de janeiro de 2014 at 14:20

      Oi Cintia!
      É engraçado que eu não tive nenhuma crise aos 30, mas acho que vou ter aos 40, hahaha. Eu me achei muito melhor aos 30 do que aos 20, mas acho que porque na verdade, eu não tinha mudado muito.
      Muita gente ainda diz que eu não pareço ter a idade que eu tenho, mas hoje já consigo sentir os efeitos. Noites mal dormidas, baladas, álcool, tudo isso faz um estrago muuuuuuito maior do que antes.
      Ao mesmo tempo, por causa disso tenho me cuidado muito mais, feito atividades físicas, me alimentado bem melhor do que fazia antes e tento não encanar com o tempo. Hoje percebi que isso é uma coisa que vou ter de aprender e aceitar, mas por enquanto, vou fingindo que não existe, rs!

  • Reply Nathana 9 de janeiro de 2014 at 22:14

    Oi Fê! Encontrei seu blog hoje, beem por acaso, e confesso que já li inteirinho, haha! Sério, li todos os seus posts. Não sei explicar o que senti quando conheci sua história, mas sei que me vejo muito em você. Estou apenas (ou já?) com 21 anos e finalizando minha faculdade, a um passo de me tornar professora. E assim como você pensava, penso que o dinheiro é muito importante pra mim. Quero manter o estilo de vida que tenho, melhorar, e dar para os meus filhos (se um dia tiver) tudo o que eu tive e muito mais. Mas para isso preciso de dinheiro, não é? E trabalhar como professora em uma cidade pequena não vai me dar essa estabilidade que quero. Pra ser sincera, nem sei se quero ser professora pro resto da minha vida. E conhecer você, com dinheiro suficiente para sustentar seu ex-vício em roupas (oi parceira!), para ter casa própria, para se alimentar e ainda viajar, com o emprego dos sonhos… e depois largar tudo pra fazer o que ama! Caramba, causou um turbilhão em mim. Aposto que você ainda tem muito o que me ensinar. Espero me encontar um dia como você fez. Espero ter coragem e autoconhecimento suficiente também. E caramba, que lugar é Phuket hein? Lindo de morrer! E não se preocupa com os cabelos brancos, eles são prova dos caminhos que você percorreu com tanto orgulho. 😉 Enfim… ganhou uma nova leitora, Fê (e olha que sou ávida, ok?). Amei seu blog, suas experiências, sua pesquisa, seus pensamentos, relatos e fotos. Ansiosa pra te acompanhar! Muitos beijos e felicidades! 🙂

    obs.: desculpa pelo desabafo confuso.

    “We’ve only just begun, hypnotised by drums, until forever comes, you’ll find us chasing the sun. They said this day wouldn’t come, we refused to run. We’ve only just begun, you’ll find us chasing the sun!”

  • Reply Luiza (Luly) Bocca 10 de janeiro de 2014 at 20:09

    Sumi eu sei mas tenho uma notícia boa para contar, eu acabei passando para a segunda fase da Fuvest e dia primeiro de fevereiro sai o resultado. Fê adoro os seus posts, adoro o seu blog !!! Ele é demais!! Mesmo!! Eu tenho só 21 mas quando tinha 16 eu me mudei para Ribeirão Preto e cuidei da minha priminha que na época estava com seis meses hoje ela está com cinco anos e quando olho para ela, mesmo sem ter cabelo branco, sinto que o tempo passou!
    Continue postando sempre!!!!
    BOM 2014!!!!
    Bjs

    • Reply Fê Neute 11 de janeiro de 2014 at 11:19

      Luiza, que notícia boa!
      Estou torcendo MUITO por você e depois passa aqui para contar se passou na segunda fase 🙂

  • Reply Carol 27 de janeiro de 2014 at 12:59

    Oi Fê!
    Fiz 26 anos e, há alguns deles tenho pensado muito nisso.
    Já chorei de desespero só de imaginar que vou morrer um dia e deixar tudo para trás. Tenho percebido linhas de expressão nos meus olhos e alguns fios brancos também. Quando eu era criança, os anos eram mais longos e eu não me dava conta disso. Vejo o tempo passar no rosto dos meus pais e nos bebês de amigos que já caminham e começam a falar. Me dá agonia notar que isso se tornou palpável.
    As pessoas me dizem ‘envelhecer é normal, todos vão passar por isso’. Sou muito vaidosa e sofro com isso. Além, claro, de saber que estou a cada dia mais perto da morte.
    Triste e difícil lidar com isso.

  • Reply Adriana Santos 25 de fevereiro de 2014 at 01:19

    Oi Fê… Desembarquei no seu blog há alguns minutos e simplesmente não consigo parar de ler.
    Nossa, estou com vontade de te falar tantas coisas que nem sei por onde começar. Mas vou tentar resumir, prometo… rs.
    Se eu acreditasse em alma gêmea eu diria que acabei de encontrar a minha (leve em conta que almas gêmeas não precisam ser casais.. rs). Vc simplesmente consegue dizer tudo que eu penso, mas esse post foi a gota d’água. Também tenho 32 anos (completei agora dia 18), e não faz muito tempo que encontrei meu primeiro cabelo branco também. Minha reação foi igual a sua, pensei as mesmas coisas, só não pensei na barata na ocasião, mas a comparação foi perfeita, já que também tenho total aversão a esse bicho do outro mundo… haha. Hoje estou vivendo meio que uma crise existencial exatamente por não saber ao certo o que me faz feliz de verdade. E há algum tempo venho tentando fazer exatamente o que vc tem feito. Viver uma vida desprendida. E aquele cabelo branco me mostrou a urgência dessa descoberta… O que eu quero fazer? O que me faz feliz? Nossa, essas perguntas estão me matando. Só sei de uma coisa: quero continuar mantendo a relativa liberdade de horários que já conquistei e sim, viajar o mundo. Mas não pra sempre. Me contento com as miniaposentadorias do Tim Ferris (estou lendo o famoso livro dele). Poderia passar horas aqui digitando, mas acho que vc não tem tanto tempo assim pra ler… rs. Também sou blogueira há anos e sei que isso consome bastante tempo. Um super beijo (já me sinto sua amiga 🙂

    • Reply Fê Neute 25 de fevereiro de 2014 at 04:44

      Oi Adriana!
      Você não faz ideia da quantidade de amigas que eu fiz por causa do blog, por isso, pode sim se considerar uma amiga 🙂
      Sempre me deixa feliz saber que existe mais gente pensando como eu. Que mesmo fazendo de tudo para ter uma vida que valha a pena, ainda assim enfrentam angústias, mas usam isso para melhorarem e se conhecerem melhor.
      Eu confesso que depois de 6 meses viajando eu estou na mesma situação que você. A flexibilidade é o que me atrai e não o “nomadismo”. Percebi que rotina não é uma coisa ruim e que flexibilidade é muito diferente de instabilidade.
      Espero te ver sempre por aqui e sempre que quiser, também pode falar comigo por email!
      Beijos 😉

  • Reply Ana Hitomi 27 de fevereiro de 2014 at 11:28

    Fê, acabei de descobrir teu blog através de um post no FB. E caí aqui neste post, depois de ler alguns outros.
    Tenho 47 anos. Meus primeiro cabelo branco já se perdeu em meio a tantos outros. Já estou pensando em fazer um laser e um preenchimento prá disfarçar as marcas do tempo. Devo dizer que, para mim, envelhecer nunca foi um problema. Ao contrário. Sempre me senti cada vez melhor ao longo dos tempos.
    No ano passado, uma amiga fez 40 anos e veio cheia de sentimentos depressivos me perguntar se eu tinha passado por isso. Sinceramente? Não. Nem pensei no assunto. Aliás, aos 42 anos me sentia maravilhosa!
    Há dois anos atrás, decidi voltar a estudar inglês. Na minha sala, com 16 pessoas, acho que estava entre as 3 mais velhas. O mais novo, devia ter 18 anos. O que me surpreendeu nessa vivência foi descobrir como os jovens são infelizes! Fiquei surpresa ao ouvir relatos de garotos e garotas lindos e cheios de vida, tempo e oportunidades afirmarem tão veementemente ter uma vida totalmente aquém de seus desejos e expectativas.
    E quando eu disse que eu sou feliz, houve até um silêncio mortal na sala…Voltei no caminho pensando…pensei em casa…e percebi que a minha felicidade vem exatamente de todos esses anos que eu vivi! Esses 47 anos me permitiram viver e realizar MUITAS coisas! Namorei muito, viajei muito, fui a muitas festas, muitos shows, tive filhos, tive maridos, trabalhei em muitos lugares, conheci muitas pessoas…e percebi que sou feliz justamente porque eu tive o tempo necessário para poder construir a minha felicidade, realizar as coisas que queria, conquistar, sonhar, ganhar, mudar…
    Então, vou te dizer: a passagem do tempo é uma bênção! Envelhecer é enriquecedor! Muito provavelmente quando eu tinha meus 18 anos também era uma pessoa insatisfeita, reclamando da vida, simplesmente porque ainda não havia iniciado minha jornada rumo às coisas boas da vida. Agora estou aqui, no meio dela! E, aqui no meio, sei que tenho muitas outras coisas bacanas para fazer e viver.
    Acho que está na hora de resgatarmos a beleza do envelhecimento. Nessa nossa sociedade que valoriza a juventude, esquecemos do valor da experiência!
    Sempre digo que devíamos ser como Benjamin Button: poder aliar a vitalidade da juventude com a sabedoria da maturidade seria realmente uma vida gloriosa!!!!
    Bjs!!!

    • Reply Fê Neute 27 de fevereiro de 2014 at 11:34

      Que comentário lindo, Ana!
      Obrigada por dedicar seu tempo para contar um pouco da sua experiência.
      Eu concordo com você e tenho uma irmã de 17 anos que é exatamente como todos esses jovens que você descreveu, infelizmente.
      Sempre fui uma pessoa feliz, sem nenhum motivo exato, mas sempre amei viver. Todas as vezes que algo me fez infeliz eu simplesmente deletei da minha vida, fossem empregos, namorados, casos ou até mesmo amigos.
      Tenho aprendido ainda mais durante essa viagem e espero chegar aos 47 como você 🙂
      Um beijo enorme!

    • Reply suellen 14 de março de 2014 at 20:45

      Uauuu. Que comentário lindo, Ana!!
      Tb quero te agradecer por compartilhar sua trajetória. Muito bacana tudo isso q vc disse. Adorei!!
      Bjosss

    • Reply Karina 20 de junho de 2014 at 16:49

      é… Muito obrigada, Ana, por compartilhar sua Vida, assim com V maiúsculo, com a gente = )
      talvez essa tristeza que você identificou na juventude resida no fato de que há muitos caminhos possíveis no horizonte. planeja-se muito, criam-se muitas expectativas, e a vida mesmo, esta vai passando perdida em meio aos muitos planos.

  • Reply suellen 14 de março de 2014 at 21:05

    Ahhh!!! Fê, amei esse post. Tb enho a mesma sensação da Adriana Santos. Me identifico demais com tudo o q vc diz. Você pensa da mesma forma que eu mas tem mais clareza para expor.
    Amei o fato de você ter incluído um trecho do filme EU MAIOR. O professor Cortella é sensacional. É muito interessante essa reflexão sobre a importância de não se ter uma vida pequena.
    Por isso que a passagem de tempo tb não me incomoda tanto. Achei super interessante o que a Ana disse aqui em cima. Eu tb não me incomodo pq sinto que o tempo me faz bem. Hoje eu tenho 29 anos e nunca estive tão bem comigo mesma. E detalhe: não tenho meu apê, estou solteira e saí recentemente do meu trabalho. É que sinto que vivo e tenho vivido com 100%. Aproveitado a vida, sabe?! Dou valor pras pequenas coisas e não tenho preguiça de viver. Adoro sair, passear, viajar, ir a praia, ir pra balada, fazer trilha, conhecer pessoas, me colocar em situações novas e diferentes, experimentar novos sabores… Enfim, viver a vida! Por isso tb acho que não terei a crise dos 30 (que já ta batendo na porta. rs!). E espero chegar aos 40 como a Ana, nossa colega aqui de cima, para tb não viver a tal crise dos 40. rsrs!
    Um forte abraço pra vc, Fê e pra todos os comentam por aqui. Vocês tem me acrescentado muito. Obrigada por cada compartilhamento!

  • Reply Beatriz 16 de março de 2014 at 23:15

    Fê,
    Muito obrigada por ter criado este blog. Você não imagina como tem me ajudado. Sabe, eu bem sei que seu tempo deve ser escasso, mas peço que tire um tempinho para me dizer algumas palavras, pois acho o seu jeito de escrever tão esclarecedor, que pode ser que me ajude a enxergar. Tenho 34 anos, sou formada em direito e não segui carreira. O problema é que não consigo definir o que eu quero, qual minha vocação (como dizem). Estou sem trabalhar há um ano. Esqueci de mencionar que sou casada. Não tenho problema financeiro. Meu casamento é ótimo, não tenho problemas nessa área. Meu problema é falta de objetivo, sabe? Me sinto péssima por isso. Fico em frente ao computador lendo matérias sobre como posso mudar o rumo da minha vida, seguir um objetivo, mas o problema é justamente este: eu não sei o que eu quero. Escolhi este curso por gostar de ler, por gostar de ver a justiça sendo feita (no Brasil, raras vezes vemos, é verdade) e também porque queria que meus pais tivessem orgulho de ver a filha formada… E hoje, tantos anos após me formar (quase dez), nunca atuei na área. Sinto muita vergonha quando encontro colegas da época da faculdade que perguntam o que tenho feito, e falo que estou ‘estudando para algum concurso’, mesmo sem estar, só para dar uma desculpa e fugir do assunto. É muito chato. Várias vezes penso que sou incapaz de passar em algo, que tais feitos são para os outros, não para mim. É uma desculpa esfarrapada de quem não tem ânimo e coragem para tentar! E ao mesmo tempo, não existe um concurso que eu queira fazer. Penso que eu quero trabalhar para mim, sabe? Não queria trabalhar novamente para empresas ou para o governo. Mas não sei o que poderia fazer, o maior problema da minha vida tem sido esse. Me sinto tão ridícula, Fê…! Sinto que não me conheço o suficiente. Como alguém não sabe definir o que quer? Acordo pensando o que me fez paralisar, o porque não reajo e o motivo de estar engessada, parada no tempo, e não encontro explicação plausível. É realmente ridículo. Gosto de escrever, de ler, fico lendo matérias como as do seu blog, tentando me compreender, tentando encontrar algo que me motive, algo que me dê um clique e que me faça pensar: – É isto que eu quero! Enquanto não encontro, continuo pensando sem parar no que devo fazer da vida, penso nos meus 34 anos e isso só piora tudo, acho que não há um minuto do meu dia em que eu não deseje descobrir algo que eu ame fazer.
    Será que eu sou anormal?
    Beijos e muito obrigada,
    Beatriz.

    • Reply Tatiana 3 de dezembro de 2014 at 11:24

      Beatriz, não sei se a Fê te respondeu em particular, mas peço licença para usar o seu comentário para reiterar o pedido, ou mesmo sugerir como pauta para um post (já li bastante do blog, mas ainda não vi um texto sobre isso), pois, exatamente como você, essa é a questão me me aflige muito!

      Fê, a você quero dizer que te admiro muito, e estou sempre por aqui lendo de cabo a rabo os seus textos! E que, nossa, meus fios de cabelo branco já começaram a aparecer com força. E só abrir meu cabelo para achar vários fios escondidos (e estou com 28 anos)!

  • Reply Josy Lima 18 de março de 2014 at 17:13

    Oi Fê, vi este texto e amei, confesso que todas nós somos um pouco disso, desse desespero de estar ficando velha, é uma pena não é mesmo? Minha crise foi aos 15 anos, não admitia que estava me tornando adulta e isso me afligia muito, 11 anos se passaram e hoje, perto dos 27 percebo que tudo foi muito bom, trabalho muito e parece que os dias, as horas, os anos vão escorregando por entre os dedos e eu não consigo segurá-lo, mas como vc mesma disse temos que somar os dias, as vivências e não sentir que um dia a mais é um dia a menos pq isso angustia…. quem me dera se eu tivesse várias vidas para aproveitar tudo de ótimo que se tem no mundo e não ficar pensando, como muitas pessoas que na vida se anda na verdade é para a morte… bjinhos

  • Reply Carol Sales - www.crisedos30.com 30 de junho de 2015 at 21:53

    Mais um post sensacional!
    “A flexibilidade é o que me atrai e não o “nomadismo” – essa frase você nem escreveu no texto, mas sim em um dos comentários, e é algo que simplesmente tem tudo a ver com o que eu penso.
    Estou vivendo agora esse momento pós-chutar o balde (eu, como você, já chutei alguns…) e é sempre bom ver relatos de quem passou ou ainda passa por isso.
    Adoro ler blogs que tratam essa questão de forma tão diferente da maioria. O “largue tudo agora e vá viajar” acho que já está ficando um pouco ultrapassado, precisamos de pessoas que tragam novas reflexões para esse momento que, como sociedade, estamos vivendo. E vc é uma delas!
    Parabéns!

  • Reply maria rita 18 de janeiro de 2016 at 09:28

    EU TENHO 11 ANOS E JÁ TENHO UNS 2 FIOS DE CABELO BRANCO,PORQUE SOU MUITO ESTRESSADA SOU JOVEM MAS TAMBEM TENHO CABELO BRANCO…

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