Inspiração

O QUARTO DE JACK

6 de abril de 2016

No meu último post, eu contei que queria trazer assuntos novos para esse espaço, lembram?

Tanta coisa me inspira, me faz querer falar que comecei achar um desperdício só escrever de vez em quando e de um jeito tão específico sobre um assunto tão amplo como felicidade.

Hoje eu queria falar sobre um filme que mexeu comigo. Sabe aqueles que você termina e fica pensando por dias? 

Todo ano antes do Oscar, eu tento assistir aos indicados a melhor filme. Esse ano isso não aconteceu. Assisti alguns, mas não a maioria e muitos vencedores acabaram sendo uma completa surpresa para mim.

Foi o caso da Brie Larson. Ela levou a melhor atriz por esse filme e mesmo não tendo visto a atuação de todas as outras, eu achei extremamente merecido.

O filme conta a história de Joy (Brie Larson) e seu filho, Jack (Jacob Tremblay), de apenas cinco anos, confinados em um pequeno quarto. O único contato que ambos têm com o mundo exterior é a visita periódica do Velho Nick (Sean Bridgers), que os mantém em cativeiro.

Genteeeeee!

Primeiro, o que é esse menino? Me explica? Quero ter um filho igual! Será que o marido americano ajuda?

Segundo, que história mais linda de amor entre mãe e filho.

E por último, o filme é tão bem feito que faz você sentir que está o tempo todo dentro do quarto. Chega a ser claustrofóbico.

Agora, se você é como eu e gosta de assistir filmes sem saber muito sobre o que se trata, eu sugiro que pare de ler por aqui. Mas, se você não liga para isso ou já assistiu e também quer comentar (por favor, comente), continue!

— SPOILER ALERT —

O filme me fez pensar muito na vida, nas expectativas que criamos para a felicidade e como elas são muitas vezes ingênuas e até mesmo injustas.

Ele retrata aquela típica situação em que esperamos que algo que queremos muito nos fará muito feliz – no caso dela, escapar do cativeiro – e, quando acontece, um caminhão de emoções inesperadas muda completamente a nossa percepção sobre o que achamos que iríamos sentir.

No momento em que ela sai, o que deveria ser o fim do sofrimento e o recomeço de uma vida cheia de alegria é só o início de uma nova fase de dor e frustração,  não só dela, mas também da família que já estava adaptada a viver sem ela e do pequeno Jack que estava adaptado a viver no quarto.

Além disso, tiveram duas outras coisas que me marcaram demais. Uma foi o fato de que o ser humano é capaz de se adaptar a tudo, até mesmo às situações mais bizarras para garantir a sua sobrevivência. Mesmo dentro daquele inferno, a Joy conseguiu fazer o possível para se manter viva e proteger o pequeno Jack.

Também foi interessante ver que, enquanto para ela o quarto era uma prisão que a impedia de viver no mundo cheio de outras mil coisas que ela conhecia, para o Jack, o quarto era o mundo, era tudo o que ele conhecia e ele era muito feliz ali.

Tudo na vida é uma questão de referência e adaptação. O que parece ser o inferno de um, pode ser o lar do outro.

Isso me fez pensar em quantas vezes não apreciamos o que temos por acharmos que existe algo melhor por aí. Ou em quantas vezes achamos que o que está fora do nosso alcance vai nos fazer mais feliz do que aquilo que está tão perto da gente.

Aiiiiii, tanta coisa pra falar sobre esse filme! Amo quando eu fico digerindo algo por dias ou coisas que me fazem pensar não só na história, mas também na minha própria vida. Foi por isso que eu quis começar essa nova seção do blog com ele!

Quem assistiu também gostou? Gostaram do post? Contei demais? Contei de menos? Comentem para eu saber!

❤️ 

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14 Comments

  • Reply Shirley 7 de abril de 2016 at 11:00

    Esse filme é fantástico! Assisti pelos prêmios que recebeu no Oscar e não me arrependi!
    A descrição do Jack do mundo ao seu redor do começo ao fim é uma verdadeira poesia, e retrata bem como somos apegados e resistimos a mudar uma opinião sobre algo que sempre nos foi ensinado de certa maneira, por mais absurdo que pareça.
    O Jack teve que literalmente “pensar fora da caixa” para sobreviver, e conseguiu… nós conseguiríamos?!

    • Reply Fe Neute 7 de abril de 2016 at 13:04

      Oi Shirley. Acho que eles mostram isso brilhantemente. Ela viveu 7 anos passando pelas piores coisas que um ser humano pode passar e resistiu, porque mal ou bem, era uma situação a qual ela tinha controle. No momento que se viu fora da casa e tendo que se adaptar a uma realidade que ela não podia mais controlar ela não aguentou a pressão e tentou se matar. Nem as maiores atrocidades tinham feito ela perder a vontade de viver, mas voltar para o mundo que ela tanto sonhava deixou ela sem esperança. Tanta coisa para refletir sobre esse filme! 🙂

  • Reply Amanda Fontenelle 7 de abril de 2016 at 16:22

    Oi Fê, eu assisti apenas o trailer, mas logo pensei quão louco deve ser viver desse modo e o qual será a mensagem do filme para nós com uma vida “normal”. Quando assistir digo o que achei. Beijos boa semana 😉

  • Reply Viviane França 7 de abril de 2016 at 17:24

    Mulher! Quando estava no melhor do post… Acabou! Adorei e pode continuar 😉

  • Reply Pri 7 de abril de 2016 at 19:14

    Fiquei muuuuito curiosa! Vou colocar na minha lista de filmes pra assistir 😀

  • Reply Isabela 9 de abril de 2016 at 13:58

    Acho que p diálogo que mais me marcou foi no final do filme, quando eles vão visitar o cativeiro e o Jack pergunta se o lugar tinha encolhido. Acho que isso sintetiza tudo, e mostra como as percepções que temos do mundo são tão poderosas (tanto para o bem, como para o mal, é claro).

    p.s ansiosa pra saber como foi essa semana longe das redes sociais!

  • Reply Maria Antonieta 10 de abril de 2016 at 13:22

    Precisooooo assistir, vários amigos tb, comentaram.

  • Reply Carla 11 de abril de 2016 at 08:37

    Assisti e adorei!!! Prende do começo ao fim sem respirar. rsrs. (Pare aqui se vc ainda não assistiu!!)

    Uma parte do filme que me marcou, foi como o pai dela reagiu a presença do Jack. Ele não aceitou muito bem a presença do menino e não dá para julga-lo, afinal, sua filha volta do cativeiro com o filho do estuprador, deve ser barra pra caramba.
    É bacana ver como o filme retrata a adaptação de todos com a volta dela e agora com o um novo membro na familia. Dificil pra todo mundo. Ótimo filme.

  • Reply Claudia Hi 12 de abril de 2016 at 09:12

    Já ouvi falar desse filme mas nunca assisti. Adorei sua resenha e os comentários Fê! Adoro filmes e adoro como você escreve, então foi uma delícia ler esse post mesmo não tendo visto o filme! hehe

  • Reply Rafaela Fusieger 12 de abril de 2016 at 09:34

    Fê, é justamente isso, há quem viva dia após dia esperando um tempo em que poderá viver algo melhor… almeja algo, conquista aquilo e depois esquece… já não está mais satisfeito! Me emocionei MUITO com O quarto de Jack, mas com teu texto ampliei muito mais minha reflexão. Obrigada por me fazer pensar mais! Escreva sempre!

  • Reply Clarissa Carino 14 de abril de 2016 at 15:58

    Eita, li o post só até a metade, porque ainda não assisti e não quero spoilers kkk

    Mas tenho muita vontade de assistir, só não tive a oportunidade ainda! 🙂

    Beijo!

    Clá | blog Uma Garota Carioca

  • Reply Bruna Pires 14 de abril de 2016 at 23:03

    Amei o filme Fe, fazia tempo que eu não assistia a um filme tão bom quanto esse. To amando o novo estilo do seu blog. Ta super leve e gostoso. Obrigada por essa recomendação, eu super te adoro. Beijos e fica com Deus.

  • Reply Andre 24 de maio de 2016 at 11:35

    Bom dia, Fe. Comecei hoje a te acompanhar, estou procurando também filmes que me façam refletir sobre qual estilo de vida devo seguir. Se tiver mais indicações de filmes que me leve a essa reflexão, eu agradeço. Parabéns pelo blog, estou adorando. um abraço.

  • Reply Deborah 1 de junho de 2016 at 12:35

    Eu já tinha lido o livro a alguns anos e quando vi que fariam o filme fiquei muito empolgada!
    Achei que foi muito bem feito e fiel ao livro. Talvez os conflitos psicológicos pós quarto não tenham sido tão aprofundados no filme quanto no livro, mas mesmo assim acho que conseguiram reproduzir muito bem! 🙂
    Beijos
    http://www.vivendojunto.com.br

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