Felicidade

A PERGUNTA CERTA PARA QUEM QUER SER FELIZ

7 de novembro de 2013

Se eu te perguntar hoje: Do que você precisa para ser feliz? Você saberia responder?

Aposto que muitos de vocês tem uma lista de desejos que fariam a sua vida mais feliz. Alguns diriam que seria trabalhar com algo que sentem prazer. Outros que queriam ganhar mais dinheiro para terem uma vida mas confortável ou poderem fazer o que tem vontade. Tem aqueles que queriam emagrecer, ter a bunda dura ou um abdomem de tanquinho e outros, queriam fazer o que eu estou fazendo agora, viajar pelo mundo!

Não é difícil saber o que faria a nossa vida melhor e mais feliz.

Mas e se eu te perguntar: Qual é a dor que você está disposto a suportar para ter o que quer? Você saberia responder?

Por causa dessa pesquisa sobre a felicidade, eu tenho conversado com muita gente, além de estar participando de alguns grupos de discussões. E uma coisa que já me chamava atenção há algum tempo tem ficado ainda mais evidente. Muita gente não para para pensar no sofrimento inevitável que vem junto com algumas escolhas, mesmo que essas visem a nossa felicidade. Mas, mais importante do que pensar na alegria de conseguir algo que se quer muito, é entender se vamos aguentar o tranco.

As pessoas querem ter um trabalho que gostam, mas não param para pensar que, nem sempre, esse será o trabalho que as fará ganhar mais dinheiro. Ou querem ter a flexibilidade de horários que só um empreendedor tem, mas não pensam em todas as incertezas, fracassos e noites de sono que ele perdeu antes de seu negócio ser bem sucedido. Ou ainda, que para ganhar dinheiro, talvez você precise trabalhar 60 horas por semana, engolir mais sapos do que gostaria, lidar com gente arrogante, com chefe preguiçoso e com clientes mal educados. Em todos esses casos existe uma dor e uma recompensa.

Tem sempre aquele que vai dizer: “Mas fulano ficou rico fazendo o que gosta, por que comigo é tão difícil?”. Minha avó costumava ter um estoque de frases feitas e, embora eu achasse todas muito cafonas, essa ilustra bem essa situação:

“Todo mundo sabe contar quantas pingas eu bebo, mas ninguém vê os tombos que eu levo”.
– Vó Francisca

Com certeza não deve ter sido fácil para o fulano em algum momento, pode acreditar.

Muito antes de eu deixar o meu emprego para fazer essa viagem, eu tinha decidido que conhecer o mundo seria minha prioridade. Por isso, passei a planejar todas as minhas férias e feriados grandes com mais de seis meses de antecedência. Assim, teria tempo não só para juntar o dinheiro, mas também para parcelar o que fosse possível. Quando eu convidava amigos para me acompanhar, muitos não queriam ter o compromisso de planejar algo com sete ou oito meses de antecedência. Mas, e se eu mudar de emprego? E se eu arrumar um namorado? E se eu mudar de ideia? E se acontecer alguma coisa? Pois é, meu pai teve um AVC repentino e morreu em um Carnaval. Como ele passou alguns dias no hospital eu tive tempo para cancelar tudo. Quatro anos depois, por uma infeliz coincidência, minha avó também morreu no Carnaval, mas desta vez, eu estava viajando… Merdas acontecem…

Além disso, também me irritava profundamente cada vez que alguém que tinha um carro três vezes mais caro do que o meu ou usava uma bolsa que custava o preço da minha viagem toda, dizia: “Nossa, um dia eu vou ficar rica como você para poder viajar desse jeito.” 

Não dá para ter tudo na vida. Até mesmo as coisas que nos fazem muito felizes vão vir acompanhadas de algo que nos faz sofrer de alguma forma. Realizar um sonho significa deixar outras coisas para trás. Também significa que você tem de se sentir confortável com o sofrimento que a sua decisão vai trazer, ou então, aquilo que deveria te fazer feliz, vai ser o motivo da sua infelicidade.

Há alguns anos, muitas das minhas amigas começaram a ter filhos. Foi quando eu passei a acompanhar o dilema que é conciliar carreira e maternidade. O que percebi é que para ser uma executiva de sucesso, talvez você precise abrir mão de criar os seus filhos de perto e lidar com o fato de que talvez eles vão passar mais tempo com uma babá do que com você. Assim como se você tomou a decisão de abandonar tudo para criar os filhos, precisa estar confortável com a ideia de que suas amigas que continuaram trabalhando vão crescer profissionalmente enquanto você estará assistindo A Galinha Pintadinha. Por isso é tão importante ter clareza de que também é preciso aprender a lidar com o tipo de sofrimento que uma decisão como essa traz sem que você fique infeliz.

O que determina a nossa felicidade é saber lidar com o sofrimento. Por isso, a pergunta certa para quem quer ser feliz é: Você vai ser feliz enquanto estiver lidando com todo o perrengue que vai passar até realizar aquele sonho que você tanto deseja? Essa é a pergunta que realmente importa e é ela que vai te fazer sair do lugar. Se não, em vez de sonhos, você estará apenas alimentando fantasias que nunca se tornarão realidade.

Imagem: Okraken

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20 Comments

  • Reply Maria Antonieta 7 de novembro de 2013 at 16:14

    Boas reflexões…

    • Reply João Letto 2 de Abril de 2014 at 00:54

      estava no aguardo de uma nova postagem sua… rss
      conheci seu blog cerca de um mês atrás e tenho refletido bastante sobre a vida, felicidade, objetivos… e pesquisado sobre ser nômade digital… obrigado pela contribuição… parabéns e boa sorte aí no MUNDÃO!!!!

  • Reply Bruna 7 de novembro de 2013 at 16:26

    Mais uma vez uma reflexão incrível! Li um livro que dizia que ser feliz não é ter uma vida sem problemas e sim, como lidamos com os problemas que aparecem na nossa vida. Acho que por mais que nos realizemos em todos os sentidos nunca seremos plenamente felizes porque o ser humano nunca estará completo. E que bom. Que bom que sempre queremos mais e que mudamos de rumos tambem! As vezes o que pensavamos que nos faria felizes, na verdade não fará.
    Acho que o importante é ser feliz hoje. Claro que é muito importante ter planos, metas e projetos para que nossa vida tenha um “sentido”, mas também é essencial que sejamos felizes hoje, que vivamos da melhor maneira, que saibamos ver a beleza que está diante dos nossos sonhos, as vezes em coisas pequenas…

  • Reply Ricardo 7 de novembro de 2013 at 19:10

    Excelente texto! Nada mais que a verdade.
    As pessoas invejam muito umas às outras, posição, salário, bens… Mau elas sabem os sacrificios necessários pra se alcançar o sucesso..
    Boa tarde!

  • Reply Daniela Maio 7 de novembro de 2013 at 23:41

    Oi Fernanda, estudei com você no Mackenzie, sou a outra Dani…rs.
    Tenho acompanhado seus textos, quando você compartilha no facebook e curtido bastante as reflexões sobre o tema Felicidade. Gostaria de te parabenizar pela ousadia de conseguir virar a mesa e buscar aquilo que acredita e te faz bem. Não planejei tanto a minha até aqui, mas tive a sorte de ser uma pessoa bem sucedida (graças aos valores que me dão norte), que é feliz com as conquistas atuais e que eram também desejos. Resolvi escrever hoje, porque acho que a pergunta certa faz realmente a diferença, nunca fui das pessoas que não pensa em consequências, por isso também me frusto pouco e geralmente me satisfaço bem, porque alimento expectativas mais próximas da realidade, além de um treino no olhar para as lições que se tem no caminho. Aliás, um aprendizado que tem sido meu mantra em todos os aspectos – profissional, pessoal, familiar, social – é que se pode ser feliz no caminho e não apenas no chegar. Por isso tudo, tenho gostado bastante de te acompanhar, porque sinto que tenho aprendido que a possibilidade é ainda maior, é só olhar pra um horizonte mais infinito e por o pé na estrada.rs

    • Reply Fê Neute 8 de novembro de 2013 at 10:38

      Dani, obrigada pelo seu comentário!
      Pelo que você escreveu, eu não acho que você tenha tido a sorte de ser bem sucedida e sim o merecimento por ter uma atitude positiva e realista em relação à sua vida. Acho que o que tem acontecido muito é que as pessoas cultivam sonhos que não são seus verdadeiros desejos e sim o que as farão “bem sucedidas” aos olhos de outras pessoas. Admiro pessoas como você e fico feliz que você esteja gostando do que eu escrevo! Realmente sinto um prazer enorme nisso e espero continuar inspirando as pessoas a por o pé na estrada, seja ela qual for 🙂
      Beijos!

  • Reply Cintia 8 de novembro de 2013 at 18:55

    Ah, sabedoria de avó… muito fácil desejar o que os outros têm, mas poucos param pra pensar em como foi o caminho pra chegar lá. Me lembro quando solteira e com a carreira a pleno vapor várias pessoas me falavam do meu “empregão” e do meu correspondente super salário… mas elas não tinham ideia do caminho percorrido até chegar lá, dos sapos que engolia, das horas extras nunca pagas por ter um “cargo de confiança”. E o pior é que eu parecia não ter direito de reclamar de nada, afinal tinha tudo o que uma pessoa podia querer.
    Quanto ao dilema carreira x maternidade, bom, acho que ilustra bem a questão que vc propôs nesse post. Toda decisão envolve um certo grau de sofrimento, em primeira instância porque pra seguir um determinado caminho renunciamos às outras opções. Mas o ser feliz com a decisão tomada depende de deixar pra trás as outras opções, senão a vida vira um martírio de “e se…”. A graça de tudo é que, ainda bem, nada é imutável nessa vida, a qualquer momento pode-se traçar outra meta e tomar outro caminho, basta ter coragem…

  • Reply Carlos Carreirão -56 anos 21 de novembro de 2013 at 00:34

    Fernanda vou acompanhar seu caminho, torcendo pelos valores que clamas. Também acredito neles. Avante e para cima! Grato por me adicionar no Face.

  • Reply Aline 27 de novembro de 2013 at 22:59

    Muito bom esse artigo! Realmente, nunca me perguntei do que estou disposta a abrir mão. Muitas coisas legais acontecem e vejo que é por que, sem saber, banquei o que vinha com elas. Agora me pego pensando nas que não dão certo – emagrecer é uma! – e percebo perfeitamente que é por que não banco o “sofrimento” que acompanha. Adorei a citação da sua vó, mandou muito! haha

  • Reply Josiane 8 de Janeiro de 2014 at 20:37

    Descobri seu blog hoje e não consigo parar de ler… Menina, você é fantástica!!! (mineirice mode on).
    Vou recomendar para várias amigas e quero ler todos os textos, uma, duas, três vezes! Você tem tanta maturidade que me assustei ao saber que está na casa dos 32 (ou próximo). Obrigada por essa clarividência sobre temas tão importantes e que nos causam tantos conflitos! Vou ler com calma os demais posts e com certeza farei mais comentários!

  • Reply Kênia 9 de Janeiro de 2014 at 17:51

    FEliz com a vida, onde estive eu que não tinha te encontrado até hoje??? O seu blog é REAL!!!! Seu discurso verdadeiro, sem aquelas nuances de “tentar ser pop”….Primeira vez que passo por aqui e já sorri, chorei e tomei uns tapas na cara também!!!! Estarei aqui sempre! Please keep bringing some more, uh..I mean MUCH MORE….

    • Reply Fê Neute 9 de Janeiro de 2014 at 17:54

      Kênia, você fez o melhor elogio que eu poderia receber! Tudo o que eu quero é escrever algo que seja REAL 🙂
      Fico feliz em te ver por aqui e, please, volte sempre!

  • Reply Rafaela 11 de Janeiro de 2014 at 12:58

    Fê, descobri seu blog hoje e já li 3 posts! Adorei!! Tenho a sua idade e tbm sou apaixonada por viagens! Andar pelo mundo é para mim o melhor investimento de vida!
    De fato não é fácil descobrir nosso sonho e largar tudo para fazermos aquilo q nos dá paixão!
    E “toda escolha envolve renúncia” precisamos valorizar o caminho q nos leva a realizar nossas metas!
    Parabéns pelo blog! Vou seguir!!

  • Reply Cyntia 22 de Fevereiro de 2014 at 21:40

    Parabens pelo seu blog! Já li alguns blogs de pessoas que resolveram ter esse estilo de vida mas, o seu foi mais sincero que li. A identificação foi instantânea. O que li hoje foi “um tapa na cara”. Larguei minha vida no Brasil para seguir meu coração e a vontade de desbravar o mundo. Mas, mesmo assim, as vezes me pego tao infeliz que sinto saudades da vida antiga que tanto me fazia mal. Lendo seus textos percebi algumas coisas que tenho feito de errado e com certeza vou corrigir. Só posso dizer que virei fã do seu blog e que ler seus textos me fizeram muito bem 🙂

    • Reply Fê Neute 23 de Fevereiro de 2014 at 06:00

      Oi Cyntia!
      Fico feliz em saber que algo que eu escrevi possa te ajudar a mudar aquilo que não está te fazendo tão feliz quanto você imaginava 🙂
      Um beijo e espero que você volte sempre!

  • Reply Ellen 18 de Abril de 2014 at 22:44

    Oi Fê,

    Hoje conheci seu blog e seus textos caem como uma luva no que estou passando a algum tempo, a busca pela felicidade.
    O meu grande problema é não conseguir achar algo que goste de fazer, algo que me faça levantar todos os dias para a felicidade.
    Acho que independente do que seja, de ser uma rotina em escritório, poder viajar e trabalhar (como você), cuidar de uma família em vez de construir uma carreira, tem que ser algo que te deixe feliz ao acordar. Pra mim a felicidade é isso, você acordar agradecendo.
    Eu hoje me sinto uma pessoa fracassada. Fracassada por não ter prazer ao acordar, é como não viver apenas existir. Não consegui achar nada que fizesse bem, que gostasse de fazer. E hoje sinto como se já tivesse passado o meu tempo. Não me adapto a rotina de escritório, fico um tempo e depois me esgoto totalmente, não produzo mais, então saio. Mas como não tenho experiência na minha formação, fiz publicidade como você, nunca trabalhei com o que estudei.
    E devido a isso tudo, estou me sentindo perdida e sem ainda achar minha felicidade.
    Mas devido a ainda não ter encontrado um trabalho que me faça acordar feliz estou aprendo a viver com menos consumo. Decidi não comprar roupas e sapatos e acessórios esse ano e até o momento estou conseguindo.

    Desculpe usar esse espaço meio que para desabafar…

    Parabéns pelo ótimo texto e abertura de um belo debate. Consumindo seus textos com prazer… 🙂

  • Reply Daiana 15 de junho de 2014 at 23:53

    Caramba Fernanda, seus textos são bons demais, muito inspiradores, principalmente pela identificação com as situações que você cita e sua visão sobre elas, tenho adorado ler idéias mais realistas e menos “auto-ajuda” sobre felicidade. Estou num momento da minha vida em que tenho sentido uma necessidade muito grande de me conhecer verdadeiramente, acredito que tudo, inclusive nossa felicidade, parte do auto conhecimento, mas não tem sido nada fácil, confesso. E, algumas reflexões propostas aqui me são muito pertinentes e, como eu disse antes, de um jeito muito mais próximo de como vivemos e nos sentimos de verdade. Todo esse conteúdo aqui poderia virar um livro e, certamente, seria um livro de cabeceira pra mim. Parabéns pelos textos e obrigada por compartilhar tudo isso conosco.

  • Reply Vanessa 6 de agosto de 2014 at 14:52

    Nossa, esse post foi muito inspirador e me ajudou a repensar algumas coisas que estavam martelando minha consciência. Parabéns pelo ótimo texto e obrigada pela inspiração.

  • Reply LINDALVA 21 de Fevereiro de 2016 at 17:41

    Show !!!!!!!!

  • Reply Jecimar dos santos 19 de outubro de 2017 at 13:24

    Boa tarde!
    Gostei muito desses temas abordados,felicidade.
    A felicidade foi embora,mas não se desespere ela voltará em breve.
    Um grade abraço.
    Jecimar.

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