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5 VERDADES QUE NINGUÉM TE CONTA SOBRE UM PERÍODO SABÁTICO

16 de setembro de 2013

Hoje faz exatamente um mês que eu saí de São Paulo para começar esse novo estilo de vida que algumas pessoas entendem como período sabático, mas eu ainda não sei bem o que é e estou tentando descobrir.

Embora tenha passado apenas um mês, posso dizer que já aprendi muitas coisas e que, por mais planejado que esteja, você nunca vai conseguir prever ou controlar o que acontece depois do minuto em que você entrar no avião.

Eu nasci e fui criada em São Paulo e sou totalmente urbana. Eu adoro prédios altos, gente de todo tipo circulando pelas ruas, gosto de moda, maquiagem, balada e sou apaixonada por boa comida. Eu também sempre amei praia, mas nunca fui uma pessoa que sonhava em largar tudo e vender coco na praia, sabe? Também sou daquele tipo que tem medo de sapo, morcego, besouros, baratas… sou alérgica a gato e morro de medo de cachorro!

Por gostar de grandes cidades, sempre que tirava férias viajava para as grandes capitais do mundo. Dessa vez, por ter mais tempo e não ter a urgência dos 20 dias, decidi que queria fazer diferente.

Comecei a viagem pela Tailândia, mas não pela capital Bangkok e sim por Phuket, uma ilha ao Sudoeste do país onde estão (teoricamente) as consideradas praias mais lindas do mundo. Isso fez com que esse primeiro mês fosse (de propósito) uma total desintoxicação da minha vida em São Paulo, e aqui está o pouco que eu já aprendi:

1. Minha mala poderia ter metade do tamanho.

Eu trouxe uma mala de mão, bem leve só com computador, equipamentos e alguns acessórios e uma outra mala grande com roupas e sapatos para todas as ocasiões e estações do ano. Esta foi uma decisão de longo prazo e depois de vender e doar quase tudo o que eu tinha, queria ter uma mala que representasse a minha casa, afinal, ela é tudo o que eu tenho hoje.

Acreditem, perto do que eu tinha em São Paulo eu não trouxe NADA, mas desse nada, ainda poderia ter trazido pelo menos metade.
A grande questão é que quando você não vai trabalhar, você não usa muita roupa. Além disso, você não tem uma vida social como a que você tem quando você está vivendo por um longo período em algum lugar e, por mais que você faça algo diferente todos os dias, as pessoas também vão ser diferentes, e suas roupas serão sempre novas para elas.

2. Não ter um trabalho fixo pode não ser tão excitante quanto parece.

Quando a gente está trabalhando, tudo o que a gente mais quer na vida são as férias. Acho que todo mundo já se pegou sonhando como seria a vida se ganhasse na loteria e não precisasse trabalhar, né? Ou viver como algumas pessoas que eu tenho pesquisado por aí, os nômades digitais, que trabalham enquanto viajam.

Pois é, não dá para dizer nem de longe que seja ruim, mas para uma pessoa que trabalhou 16 anos sem parar, não ter uma obrigação diária é um pouco estranho. Nas primeiras semanas é ótimo, porque você realmente se sente de férias, mas ainda melhor, já que sabe que não terá de voltar a trabalhar. Só que depois de 3 semanas parece que a nossa cabeça automaticamente se prepara para voltar ao trabalho (força do hábito) e não ter um trabalho faz a gente se sentir bem perdido.

3. O mais importante: sabático não é férias.

A ficha de que você não vai voltar a trabalhar cai depois da terceira semana. Fica um misto de alegria sem fim por ter seu tempo todo livre para fazer o que quiser, mas ao mesmo tempo, um frio na barriga porque não vai ter salário no próximo mês, nem no próximo, nem no próximo…

Além disso, quando estamos de férias, tiramos aquelas semanas para nos permitir fazer tudo aquilo que o ano inteiro trabalhando não nos permite fazer. Visitamos todos os lugares turísticos, queremos comer em lugares gostosos com sobremesa e drinks todos os dias, não nos importamos em gastar um pouco mais com algumas bobagens, afinal, estamos de férias!

Pois é, não é isso que acontece quando você está tirando um período sabático. Vão ter dias tão monótonos quanto os dias em que você está trabalhando, só que num lugar diferente. Não dá para viver todos os dias como se fosse férias, fazendo coisas novas e indo conhecer lugares todo santo dia, principalmente se você não tiver muita grana. O segredo está em aprender apreciar esses dias monótonos como um prêmio à aqueles milhares de dias em que você passou 4 horas engarrafado, ou que depois de se matar um final de semana inteiro para colocar um trabalho de pé, alguém desmarcou a reunião.

4. Ter tempo livre não garante que você fará o que não conseguia fazer quando trabalhava.

Sempre que eu via uma bonitona sarada, tipo a Sabrina Sato, meu primeiro comentário era: “É fácil ser assim quando você tem tempo e dinheiro pra fazer as coisas, ou seja, quando o job da sua vida é ser gostosa.” Ou quando aquela amiga que não trabalha fala que não tem tempo pra nada e você pensa: “Se você que não trabalha não tem tempo, imagina eu.”.

O ser humano sempre acha que não faz as coisas porque uma força maior esta impedindo. Isso é uma grande besteira. Tudo na vida são escolhas e dependem de dedicação e disciplina, não importa se você trabalha 12 horas por dia ou não faz nada o dia todo. Se você não tiver dedicação e disciplina para focar nos objetivos que você quer atingir, você nunca vai chegar.

Por que eu estou dizendo isso? Porque meu “sonho” sempre foi poder fazer exercícios todos os dias e mesmo tendo tempo, não mudei em nada os meus hábitos em relação a isso e a culpa agora é toda minha, o que me leva ao último tópico.

5. Quando você não tem ninguém ou nada para culpar, a culpa é toda sua.

A nossa vida é cheia de desculpas e quase sempre os culpados são o trabalho e consequentemente, a falta de tempo que ele nos causa. Quantas vezes você não se pega dizendo: “Estava muito corrido, fiquei presa no transito, não tive tempo, o trabalho me consome, faz anos que não leio um livro, não consigo ir à academia, não consigo seguir uma dieta com essa vida louca…” e por aí vai.

Quando você toma uma decisão como esta, pede demissão e vai viajar, tudo o que você não realiza é puramente sua culpa, já que você é o dono do seu tempo e não tem ninguém te dizendo o que precisa ser feito. Depois de viver uma vida sufocado pelas obrigações é difícil admitir que se algo não está saindo do jeito que você imaginou a partir de agora, a culpa é toda sua.

Algumas pessoas podem pensar que estou dando um olhar negativo para essa experiência tão maravilhosa, mas na verdade é totalmente o contrário. Justamente por ser uma experiência única eu aprendo todos os dias e só o que quero mostrar aqui é que não existe milagre. Não tem praia linda que vai fazer você fugir de todos os seus problemas. É por isso que eu amo essa frase do Gandhi:

“Seja a mudança que você quer ver no mundo.”

Porque não adianta sair para o mundo achando que ele vai mudar o que está dentro de você 😉

Imagem: arquivo pessoal.

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28 Comments

  • Reply Pri 16 de setembro de 2013 at 14:54

    Fê,

    Sensacional!
    Estou adorando acompanhar esta experiência incrível que você está vivendo! Seus textos estão maravilhosos! Parabéns!
    Continue escrevendo, pois com certeza suas vivências e resultantes serão muito úteis para reflexão! Obrigada por compartilhar com a gente! 🙂

    Beijos e saudades,

    Pri

    • Reply Viviane Guedes 16 de setembro de 2013 at 17:53

      Amei Fê!!!!
      Consciência é tudo na vida….não importa onde a gente está!!!!

    • Reply rosimeri Carvalho 14 de Maio de 2016 at 10:09

      Parabéns! Ótimas colocações com consequente reflexões pra todos nós. Estou num período sabático agora. Pedi demissão .
      Rosi

  • Reply Anna 17 de setembro de 2013 at 00:14

    Amei!

  • Reply Ana 17 de setembro de 2013 at 20:27

    Estou amando seu site, leio para o pessoal do meu serviço e todos estão amando!!
    Saudades!! bjão

  • Reply Marggah 2 de outubro de 2013 at 00:19

    Fê, seu texto é perfeito. Eu sonhava com o tempo livre que teria se não me deslocasse mais para o trabalho diariamente, e com o tanto de coisas que daria para fazer nesse período. Hoje trabalho em casa e tem dias que estou mais enrolada que quando trabalhava na empresa. Deu vontade de imprimir e colar seu texto na parede. 🙂
    Beijos, parabéns e boa continuação de sua aventura.

  • Reply Bruna 22 de outubro de 2013 at 17:38

    Acho que na maioria das vezes a culpa é nossa. É a nossa postura frente as coisas que faz com que elas sejam do jeito que são. Mas esse tipo de mudança como a da atividade física é algo que exige muita dedicação! Porque não é fácil cair da cama cedo, sendo que você poderia estar ali, deitada, curtindo o sono. Mas se temos uma meta e um desejo de algo novo e diferente na nossa vida, temos que fazer acontecer.

    Achei que foi mesmo uma atitude corajosa essa sua de tirar um período sabático. É uma revolução e tanto na vida. E acho que, como você disse, por mais que nos programemos sempre acaba rolando um imprevisto. Mas sabe, acho que o bonito ta vida ta nessas coisas. Claro que algumas coisas que acontecem de supetão e fora dos nossos planos são ruins, mas muitas delas nos fazem refletir mais ainda sobre o que ja tinhamos pensado e acabamos tendo um novo insight!

    Sucesso!

  • Reply Acauã 30 de outubro de 2013 at 14:16

    Muito boa reflexão!
    Aproveita a viagem – e as (auto) descobertas!

  • Reply Carolina 30 de outubro de 2013 at 20:01

    Ai, lindo! Muito, muito inspirador mesmo… Sempre fico em dúvida, imaginando se eu seria uma pessoa diferente se morasse em outro lugar completamente distinto do que vivo hoje

  • Reply Erika Yangg 19 de novembro de 2013 at 14:06

    Sem disciplina não atingimos objetivo nenhum. Falou e disse! Acabo de conhecer seu blog e estou adorando seus textos!

  • Reply Soraya 4 de Fevereiro de 2014 at 21:30

    Conheci hoje seu blog e já li quase todos os posts! Gostei muito desse pois destaca que não existe nada milagroso e 100% perfeito!!

  • Reply Renata 20 de Fevereiro de 2014 at 20:51

    Conheci seu blog hoje e nao consigo parar de ler. É sério. Meu chefe senta atras de mim e tive que tirar todo o brilho da tela pra ele nao ver o que estou lendo… ler com os olhos espremidinhos esta valendo a pena. Finalmente alguem fez um blog q nao seja para mostrar a parte turistica mas sim a parte enriquecedora que uma “viagem”proporciona. Seus textos sao tao reais e com linguagem tao simples que parece q vc esta aqui conversando comigo.
    Sou brasileira, nascida e criada em SP e atualmente moro em Houston – e alguns dos seus comentarios sao tao familiares com o que eu penso e vivencio que nao posso deixar de rir e pensar: “bem isso mesmo” enquanto leio.
    Estou apaixonada pela foto desse texto, como chama essa praia? Acabei de me prometer que vou passar pelo menos um dia nela… rs

    • Reply Ronilson 15 de novembro de 2016 at 20:49

      Oi Renata.

      Copie todo o texto e cole num bloco de notas ou Word. Assim pode fechar o navegador web e continuar lendo sem levantar suspeitas. 😉

  • Reply suellen 13 de Março de 2014 at 17:33

    Fê, olha eu aqui de novo. To desde ontem vidrada no seu Blog. Saboreando cada texto. Concordo com a nossa amiga Fernanda, aqui em cima, seus comentários são muito familiares com o que eu ando refletindo no último ano.
    Muito obrigada por compartilhar tudo isso conosco. Tem me ajudado muito, viu?!
    Essa questão da disciplina é o que eu mais tenho trabalhado em mim e exercitado nos últimos tempos. Hoje em dia eu tenho tempo mas tenho tido dificuldade de manter os novos hábitos que venho tentando adotar na minha vida como estudar diariamente, malhar e meditar todos os dias.
    Não te conheço mas super me sinto sua amiga já. rsrs!! Você é muito parecida comigo. Me identifiquei muito com você.
    Te desejo muito sucesso na sua caminhada.
    FÊlicidades e um forte abraço!

    • Reply Fê Neute 13 de Março de 2014 at 21:40

      Ou Suellen!
      Faça quantos comentários você quiser. Eles serão sempre muito bem-vindos!
      Fico feliz que você esteja lendo tudo!
      Beijos 🙂

  • Reply Cintia 12 de Maio de 2014 at 04:38

    Simplesmente incrível. Parabéns! Abracos from Norway!

  • Reply Ana Paula 28 de Maio de 2014 at 00:46

    Nossa, eu fiquei surpresa, mas creio que de uma forma sem muita crítica. É que foi só estranho, para mim ouvir que você, que escreve sobre ser feliz com a vida não seja muito amiga da natureza e nem de animais. Então quer dizer que você nunca se emocionou com um pôr do sol, um céu forrado de estrelas, uma mata virgem, montanhas, rios e cachoeiras e animais, selvagens ou não? Fernanda, que mistério!

    • Reply Fê Neute 28 de Maio de 2014 at 01:25

      Oi Ana Paula!
      Nossa, quando vi o seu comentário, fui olhar de novo o que tinha escrito. Achei engraçado você ter tido essa interpretação. Eu quis dizer exatamente o que está lá: eu morro de medo de insetos, sapos, baratas, ratos, cachorro e sou alergica a gatos 🙁
      Não significa que eu não goste de animais, eu só não sou do tipo de segura no colo, coloca a mão, nem do tipo destemida, sabe?
      Eu amo a natureza e tudo o que você falou. No ano passado fui para Fernando de Noronha e chorei com tamanha beleza!
      Acho que acabei de expressando mal com essa frase, mas obrigada por me alertar 😉

  • Reply Fernando 6 de outubro de 2014 at 16:28

    Oi Fê,

    Parabéns pelo artigo. Foi uma visão muito clara do que é e do que não é essa tua experiência. É bom saber avaliar tanto as coisas boas como nossos medos e dúvidas. Você retratou muito bem isso.

    Estou na primeira semana de trabalho por conta. Mesma ideia que a sua, porém sem sair do país, ainda ;)!

    Estou sentindo uma liberdade inacreditável. Você sente isso também?

    Abraço,

    • Reply feneute 7 de outubro de 2014 at 05:56

      Oi Fernando!

      Essa liberdade ficou ainda mais clara há algumas semanas quando estive em São Paulo para trabalhar (um dos meus clientes tinha um evento importante) e percebi o quando eu não me encaixo mais na vida que tinha antes. É claro que com essa liberdade também vem a angústia de não saber quanto dinheiro entra, de ter que cuidar de tudo sozinha e tal, mas no fim, o balanço é muito positivo.
      Eu sempre tento ser muito transparente em relação a essa experiência, pois muita gente fantasia com isso e, como em toda fantasia, só olhamos para a parte boa!
      Que bom que você conseguiu dar o primeiro passo e espero que consiga em breve dar o segundo que é viajar!

  • Reply elza 23 de Fevereiro de 2015 at 09:59

    Adorei sua matéria,concordo com que disse,me lembro de uma crônica do Luiz Fernando Veríssimo em que ele dizia” Não adianta viajarmos para esquecer nossos problemas se eles estão é dentro de nós.

  • Reply Andre Tenorio 30 de Março de 2015 at 13:16

    Olá Fernanda,
    Por duas vezes ouví falar sobre período sabático e hoje por curiosidade, resolví pesquisar na net para conhecer e encontrei aqui seus comentários, que são muito interessantes.
    Apesar de não ter conhecimento, sempre pensei em fazer isso na minha vida, um tempo para mim, para repensar minhas coisas.
    Como me aposentei e ainda continuo trabalhando, um tempo para pensar em um plano B, uma nova atividade, seria ideal, praticando outras atividades.
    Penso, que devemos nos preparar para a mudança, para outro ritmo de vida, tanto na parte financeira, como em atividades que nos proporcionem alegrias e prazer.
    Penso que manter o corpo e mente ativos, adquirindo novos conhecimentos e experiências que enriquecem nosso espirito é o pode trazer a verdadeira felicidade.

  • Reply Juan Paulo Campos 21 de setembro de 2015 at 09:36

    Adorei a parte de não ter em quem colocar a culpa, condiz com o que sempre digo: “A responsabilidade é maior quando se é ateu, pois se algo da errado, não tem em quem colocar a culpa.
    Parabéns pelo blog

  • Reply Feilpe 5 de setembro de 2016 at 22:00

    Sensato e inspirador

  • Reply ramon schneider 14 de Março de 2017 at 15:34

    que texto inteligente e racional, parabéns!

  • Reply Lucigleide Santos 2 de Maio de 2017 at 20:16

    Fe é a primeira vez que entro no seu site entendi perfeitamente o que vc quis dizer ate o momento que vc diz assim : ” de nada adianta sair para o mundo achando que ele vai mudar o que esta dentro de vc”…Eu não concordo nao, penso que sim quando saímos da nossa zona de conforto saímos do nosso mundo a tendência das coisas mudarem dentro de nós w enormes…Assim como acredito devam ter mudado dentro de vc. O que vc acha dessa minha colocação ? Bjos

    • Reply RENATU 16 de agosto de 2017 at 06:06

      SIM, voce tem razão, diversas angustias e neuras, podem ser de origem cultural… Se sentir feia, gorda, frustrada, fracassada, pobre, desesperançosa ou descrente, tais problemas emocionais de origem cultural, são bastante amenizados quando estamos em um novo lugar no qual absolutamente ninguem nos conhece, dessa forma nos curamos quando conseguimos ser natural, sem mascaras, sem hipocrisias, sem personagens… Encontrar com sua própria essência, transforma toda a quimica cerebral, diminuindo cortisol e ampliando serotonina e dopamina.

  • Reply Lívia 25 de setembro de 2017 at 15:41

    Excelente artigo! Estou vivendo uma fase semelhante e foi muito bom saber que compartilhamos dos mesmos pensamentos e conclusões sobre essa experiência. Bjos

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