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AMOR

Felicidade

NINGUÉM QUER SER FELIZ SOZINHO

10 de junho de 2014

Eu sempre fui romântica. Choro em casamento, adoro músicas e comédias românticas, filmes da Disney, histórias com final feliz e todos os clichês, exceto dia dos namorados.

Primeiro porque é um dia antes do meu aniversário e como eu AMO fazer aniversário, sempre me irritou o fato dessa data querida competir com o dia dos namorados.

Segundo que, se eu não estava saindo com ninguém, sempre rolava uma reflexão sobre a vida amorosa. Se eu estava saindo com alguém, mas não era sério, ficava aquela situação estranha sobre tocar ou não no assunto. E, quando eu estava namorando, tinha sempre a pressão para comprar um presente e reservar uma mesa com um mês de antecedência para jantar em um restaurante abarrotado que geralmente servia um menu “especial” péssimo que custava 4 vezes mais do que o normal. Ah! Também tem a pergunta clássica: “E aí, você ganha um presente ou dois?”. Tenho boas justificativas para não gostar, vai? Continue Reading

Felicidade

PORQUE A MORTE DO MEU PAI ME FEZ UMA PESSOA MAIS FELIZ

10 de dezembro de 2013

É impossível descrever como nos sentimos diante de uma situação tão dolorosa quanto a perda de um pai ou de uma mãe. A dor é tamanha que ultrapassa a alma e se torna física. Os olhos queimam em lágrimas e o coração parece comprimido dentro do peito. Só quem passou por isso sabe do que eu estou falando.

O budismo diz que a felicidade e o sofrimento caminham lado a lado. Eu concordo. Afinal, nunca saberíamos reconhecer a verdadeira felicidade se não tivéssemos sofrido um dia.

Mas, a pergunta universal ainda sem reposta é: o que é a verdadeira felicidade? 

Por causa da minha pesquisa sobre o tema, dediquei um dia para assistir a alguns filmes e vídeos que abordam direta ou indiretamente o assunto “felicidade”.

Um deles foi o documentário Eu Maior  e um outro chamado Happy Movie. Foi interessante assistir um na sequência do outro, pois apesar de tratarem do mesmo assunto – felicidade – as abordagens são bem diferentes. Mesmo assim, eu cheguei a uma única conclusão após ter assistido a ambos: feliz é aquele que consegue lidar com as emoções negativas e aprender com as situações adversas da vida, que são inevitáveis.

Não importa o quão linda, inteligente, rica e feliz você seja, vai ser inevitável ter de lidar com alguma emoção negativa na sua vida em algum momento, seja o envelhecimento, uma doença ou a perda de alguém querido.

Muitas pessoas quando sofrem perdas, sejam emocionais ou financeiras, perdem também o rumo. Ficam deprimidas, começam a beber, param de comer, de cuidar da própria saúde ou se isolam do mundo e isso acaba virando uma espiral sem fim que só leva cada vez mais ao fundo do poço.

Eu acredito que isso geralmente aconteça com aqueles que depositam suas motivações e a expectativa de serem felizes no emprego, no marido, nos filhos, na casa própria ou em qualquer outra coisa que não seja eles mesmos.

Quando perdem o emprego, se divorciam ou perdem um filho, eles são tomados por uma amarga sensação de impotência em relação a própria vida e isso os torna completamente infelizes.

O que precisamos entender é que, tão importante quanto ser grato pelo que temos quando estamos felizes, é saber lidar com as coisas ruins que acontecem na vida de qualquer ser humano. Não, você não está sendo penalizado pelo universo e também não é a maior vítima do mundo. O seu sofrimento, por maior que seja, não diz respeito a ninguém, a não ser você.

Em fevereiro de 2008 eu perdi meu pai. Ele tinha 51 anos e faleceu repentinamente vítima de um AVC hemorrágico seguido de um infarto fulminante. Foi um choque. Como aquele homem forte que nunca perdeu um dia de trabalho, que era o primeiro a chegar e o último a sair podia ter morrido assim, do nada?

Passado o baque inicial, a vida começou a voltar ao “normal”. O que percebi assim que voltei ao trabalho é que o meu sofrimento não me tornava especial. Mesmo sendo recebida com muito carinho, ninguém me via como a coitadinha que perdeu o pai tão jovem. Eu era apenas mais uma pessoa, como tantas outras, que não tinha mais pai.

Foi quando eu entendi que a dor da perda só pertencia a mim e que eu deveria usar aquele sofrimento para aprender alguma coisa. Essa seria a forma de agradecer ao meu pai pelo que ele fez para que eu fosse a pessoa que eu sou hoje, aprender com os seus erros e acertos e tentar ser uma pessoa melhor.

Foi por causa desse sofrimento que eu aprendi a viver um dia de cada vez.

Aprendi que planos de médio e longo prazo são importantes, mas eles podem ser engolidos por uma fatalidade da vida em um piscar de olhos de uma manhã de sábado.

Aprendi a aproveitar melhor as coisas simples e maravilhosas da vida como uma lua brilhante ou um pôr do sol em qualquer lugar.

Aprendi a amar sem medo de perder, porque a maior perda é a do amor que não demonstramos.

Aprendi que aqueles que amamos podem partir sem se despedir, mas em vez de sofrer pensando no dia que eles se forem, devemos aproveitar enquanto eles estão por perto.

Aprendi a cuidar da minha saúde e a não me estressar pelo que está fora do meu controle.

Aprendi que eu sou a responsável pelo meu destino e por tudo o que acontece comigo, seja bom ou ruim.

Aprendi a não guardar rancor e a sempre me despedir com um abraço, pois não sabemos quando será o último.

Aprendi que para tudo na vida existe um jeito, mesmo que não seja o jeito que queremos.

“A cada dia que vivo mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.”
– Carlos Drummond de Andrade

É por ter aprendido tudo isso que eu posso dizer que a morte do meu pai me fez uma pessoa mais feliz.

Imagem: arquivo pessoal.