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INSPIRAÇÃO

Felicidade

SER ESPECIAL NÃO TE TORNA ESPECIAL

24 de Fevereiro de 2014

Uma coisa que eu aprendi desde que comecei o blog foi que ao postarmos algo, isso não nos pertence mais no segundo depois que se tornou público.

O conteúdo que encontramos diariamente na internet muitas vezes vira ponte para que as pessoas gerem novas discussões usando aquilo que você escreveu para criar, reforçar ou criticar algo que elas acreditem sobre um determinado assunto. É por isso que eu amo a internet!

A internet atualmente é uma das grandes responsáveis pela geração de conversas, movimentos ou protestos em questão de minutos.

Ela também é responsável pela propagação de absurdos, poluição visual, desrespeito entre as pessoas (já que ninguém acha que precisa ser educado se não estiver cara a cara ao expressar uma opinião) e por uma quantidade inestimável de lixo eletrônico. Na verdade, nem tão inestimável assim. Continue Reading

Felicidade

DESAFIO: 100 DIAS FELIZES COM A VIDA

27 de Janeiro de 2014

Esses dias eu descobri um site com uma ideia genial (fiquei até com uma pontinha de inveja por não ter pensado nisso primeiro)! Ele faz parte de um projeto chamado #100HAPPYDAYS, ou 100 dias felizes.

A falta de tempo virou desculpa para tudo, além de motivo de orgulho para algumas pessoas. É claro que realmente estamos com agendas cada vez mais lotadas e isso faz com que o tempo evapore sem que a gente perceba. Mas, será que esse não seria um bom motivo para começar a prestar um pouco mais atenção nisso?

Este é o convite feito pelo projeto #100HAPPYDAYS.

O que é?

O projeto é uma espécie de desafio. Durante 100 dias, você deverá tirar uma foto de alguma coisa que te faz feliz. Pode ser uma comida, um encontro de amigos, um sorriso do namorado, um sapato novo ou uma frase inspiradora. O teor das imagens não é importante e sim o que aquilo representa para você. Continue Reading

Felicidade

O QUE 2013 ME ENSINOU

31 de dezembro de 2013

Esse foi um ano que, além de me fazer pensar muito, também me trouxe experiências maravilhosas, por isso, parece até um pouco óbvio pensar que 2013 foi o melhor ano da minha vida. Mas, a verdade, é que esse ano foi especial pelo fato de que todos os anos anteriores somaram algo importante para que esse fosse assim. Ele foi conseqüência de todas as escolhas (certas ou erradas) que eu fiz em algum momento da minha vida e que de alguma forma me trouxeram até aqui.

O mais importante é que ele deixou aprendizados que serão muito valiosos para 2014 e para que os próximos anos sejam ainda melhores! São eles:

1. Todo bônus tem um ônus.

No dia 1 de julho, pela primeira vez desde que eu tinha 5 anos, eu acordei sem nenhuma obrigação. Foi o início do Projeto FÊliz com a Vida. Eu queria conhecer o mundo, estudar a felicidade, ter mais liberdade e flexibilidade na minha vida para poder pensar melhor sobre o meu futuro dali em diante. Embora eu tenha planejado por um ano, feito todas as contas, pensado em todas as consequências, eu não fazia a menor ideia do ônus que acompanhava essa decisão. Sim, até as coisas mais legais da vida tem um ônus. O bônus já sabemos, é sempre bônus. É a nossa capacidade de lidar positivamente com o ônus que determina se uma decisão que tomamos vale a pena ou não e se seremos felizes com ela.

2. A rotina tem seu valor.

Quando morava em São Paulo, tinha a sensação de que eu estava vivendo “o dia da marmota” e de que meus dias eram sempre iguais. Tudo o que eu queria era fugir da rotina. O que descobri, é que não era o fato de ter uma rotina que me incomodava e sim de ser obrigada a me adequar a um padrão que nos força a trabalhar das 9h as 18h. Essa falta de flexibilidade nos faz perder tempo no trânsito ou a ficar mais tempo no trabalho para fugir dele. Nos faz ficar em filas para almoçar, jantar ou ir ao cinema. Nos faz pagar mais caro por serviços que economizam nosso tempo, já que todo mundo também está livre nos mesmos horários que a gente e a lista é longa. A rotina quando definida de acordo com as nossas necessidades nos ajuda a ter foco, a realizar mais atividades em menos tempo já que evitamos horários de pico. Isso nos torna mais produtivos e no dá a sensação de que temos controle sobre os nossos dias e é isso que nos deixa mais felizes.

3. A falta de opção te faz uma pessoa melhor.

Eu cheguei a conclusão de que quanto mais opções eu tenho, mais eu me coloco na zona de conforto. Quando você não tem opção, acaba sendo obrigado a se abrir para o novo e desconhecido. Isso faz com que você descubra coisas sobre si mesmo e sobre o mundo que talvez não fossem possíveis se você continuasse olhando para as opções de sempre. Além disso, a escassez (seja de roupas, comida, dinheiro, tempo) também é um excelente exercício para a criatividade já que quanto menos você tem, mais criativo você precisa ser.

4. Diversificar mais e sempre!

Quando você vai fazer um investimento, seu gerente no banco sempre recomenda que você diversifique e não coloque todas as suas economias em uma única opção. O mesmo acontece com a vida. Investir grande parte do nosso tempo em uma coisa só é muito arriscado. Seja no trabalho, em um relacionamento, em um filho. Quanto mais diversificada for a nossa vida, mais chances a gente tem de ser feliz. A diversificação está em saber fazer alguma coisa para ganhar dinheiro extra num momento difícil, ter vários e diferentes tipos de amigos, manter a individualidade quando se está em um relacionamento e tão importante quanto tudo isso é se permitir. Você diversifica quando você se permite, se abre e olha para os lados mais do que para o próprio umbigo.

5. Uma ação vale mais do que mil intenções.

Intenções não tem valor se não virarem ações. As intenções só servem para fazer a gente se sentir melhor em relação àquilo que não fazemos. E quando digo isso, não estou falando de grandes atitudes e sim de ligar para um amigo, passar mais tempo com a família, fazer uma viagem de fim de semana, começar uma atividade física, meditar… Muita gente tem a intenção de fazer todas essas coisas, mas não faz acontecer. A grande verdade é que se não somos capazes de fazer pequenas coisas, nunca vamos fazer as grandes. Fazer pequeno é melhor do que pensar grande.

Além de compartilhar o que eu aprendi, eu queria dizer OBRIGADA!

Obrigada por não só ter parado o que estava fazendo para ler algo que eu tenha escrito, mas também por ter dedicado alguns minutos do seu tempo para escrever um e-mail contando um pouco da sua história ou simplesmente para fazer um elogio.

Obrigada por ter feito comentários, curtido ou compartilhado meus pensamentos. São atitudes como a sua que me fazem querer continuar estudando, escrevendo e quem sabe ajudando cada dia mais.

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”
– Cora Carolina

Nos vemos em 2014!

Imagem: Clemens Habicht

Felicidade

PORQUE A MORTE DO MEU PAI ME FEZ UMA PESSOA MAIS FELIZ

10 de dezembro de 2013

É impossível descrever como nos sentimos diante de uma situação tão dolorosa quanto a perda de um pai ou de uma mãe. A dor é tamanha que ultrapassa a alma e se torna física. Os olhos queimam em lágrimas e o coração parece comprimido dentro do peito. Só quem passou por isso sabe do que eu estou falando.

O budismo diz que a felicidade e o sofrimento caminham lado a lado. Eu concordo. Afinal, nunca saberíamos reconhecer a verdadeira felicidade se não tivéssemos sofrido um dia.

Mas, a pergunta universal ainda sem reposta é: o que é a verdadeira felicidade? 

Por causa da minha pesquisa sobre o tema, dediquei um dia para assistir a alguns filmes e vídeos que abordam direta ou indiretamente o assunto “felicidade”.

Um deles foi o documentário Eu Maior  e um outro chamado Happy Movie. Foi interessante assistir um na sequência do outro, pois apesar de tratarem do mesmo assunto – felicidade – as abordagens são bem diferentes. Mesmo assim, eu cheguei a uma única conclusão após ter assistido a ambos: feliz é aquele que consegue lidar com as emoções negativas e aprender com as situações adversas da vida, que são inevitáveis.

Não importa o quão linda, inteligente, rica e feliz você seja, vai ser inevitável ter de lidar com alguma emoção negativa na sua vida em algum momento, seja o envelhecimento, uma doença ou a perda de alguém querido.

Muitas pessoas quando sofrem perdas, sejam emocionais ou financeiras, perdem também o rumo. Ficam deprimidas, começam a beber, param de comer, de cuidar da própria saúde ou se isolam do mundo e isso acaba virando uma espiral sem fim que só leva cada vez mais ao fundo do poço.

Eu acredito que isso geralmente aconteça com aqueles que depositam suas motivações e a expectativa de serem felizes no emprego, no marido, nos filhos, na casa própria ou em qualquer outra coisa que não seja eles mesmos.

Quando perdem o emprego, se divorciam ou perdem um filho, eles são tomados por uma amarga sensação de impotência em relação a própria vida e isso os torna completamente infelizes.

O que precisamos entender é que, tão importante quanto ser grato pelo que temos quando estamos felizes, é saber lidar com as coisas ruins que acontecem na vida de qualquer ser humano. Não, você não está sendo penalizado pelo universo e também não é a maior vítima do mundo. O seu sofrimento, por maior que seja, não diz respeito a ninguém, a não ser você.

Em fevereiro de 2008 eu perdi meu pai. Ele tinha 51 anos e faleceu repentinamente vítima de um AVC hemorrágico seguido de um infarto fulminante. Foi um choque. Como aquele homem forte que nunca perdeu um dia de trabalho, que era o primeiro a chegar e o último a sair podia ter morrido assim, do nada?

Passado o baque inicial, a vida começou a voltar ao “normal”. O que percebi assim que voltei ao trabalho é que o meu sofrimento não me tornava especial. Mesmo sendo recebida com muito carinho, ninguém me via como a coitadinha que perdeu o pai tão jovem. Eu era apenas mais uma pessoa, como tantas outras, que não tinha mais pai.

Foi quando eu entendi que a dor da perda só pertencia a mim e que eu deveria usar aquele sofrimento para aprender alguma coisa. Essa seria a forma de agradecer ao meu pai pelo que ele fez para que eu fosse a pessoa que eu sou hoje, aprender com os seus erros e acertos e tentar ser uma pessoa melhor.

Foi por causa desse sofrimento que eu aprendi a viver um dia de cada vez.

Aprendi que planos de médio e longo prazo são importantes, mas eles podem ser engolidos por uma fatalidade da vida em um piscar de olhos de uma manhã de sábado.

Aprendi a aproveitar melhor as coisas simples e maravilhosas da vida como uma lua brilhante ou um pôr do sol em qualquer lugar.

Aprendi a amar sem medo de perder, porque a maior perda é a do amor que não demonstramos.

Aprendi que aqueles que amamos podem partir sem se despedir, mas em vez de sofrer pensando no dia que eles se forem, devemos aproveitar enquanto eles estão por perto.

Aprendi a cuidar da minha saúde e a não me estressar pelo que está fora do meu controle.

Aprendi que eu sou a responsável pelo meu destino e por tudo o que acontece comigo, seja bom ou ruim.

Aprendi a não guardar rancor e a sempre me despedir com um abraço, pois não sabemos quando será o último.

Aprendi que para tudo na vida existe um jeito, mesmo que não seja o jeito que queremos.

“A cada dia que vivo mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.”
– Carlos Drummond de Andrade

É por ter aprendido tudo isso que eu posso dizer que a morte do meu pai me fez uma pessoa mais feliz.

Imagem: arquivo pessoal.

Felicidade

A PERGUNTA CERTA PARA QUEM QUER SER FELIZ

7 de novembro de 2013

Se eu te perguntar hoje: Do que você precisa para ser feliz? Você saberia responder?

Aposto que muitos de vocês tem uma lista de desejos que fariam a sua vida mais feliz. Alguns diriam que seria trabalhar com algo que sentem prazer. Outros que queriam ganhar mais dinheiro para terem uma vida mas confortável ou poderem fazer o que tem vontade. Tem aqueles que queriam emagrecer, ter a bunda dura ou um abdomem de tanquinho e outros, queriam fazer o que eu estou fazendo agora, viajar pelo mundo!

Não é difícil saber o que faria a nossa vida melhor e mais feliz.

Mas e se eu te perguntar: Qual é a dor que você está disposto a suportar para ter o que quer? Você saberia responder?

Por causa dessa pesquisa sobre a felicidade, eu tenho conversado com muita gente, além de estar participando de alguns grupos de discussões. E uma coisa que já me chamava atenção há algum tempo tem ficado ainda mais evidente. Muita gente não para para pensar no sofrimento inevitável que vem junto com algumas escolhas, mesmo que essas visem a nossa felicidade. Mas, mais importante do que pensar na alegria de conseguir algo que se quer muito, é entender se vamos aguentar o tranco.

As pessoas querem ter um trabalho que gostam, mas não param para pensar que, nem sempre, esse será o trabalho que as fará ganhar mais dinheiro. Ou querem ter a flexibilidade de horários que só um empreendedor tem, mas não pensam em todas as incertezas, fracassos e noites de sono que ele perdeu antes de seu negócio ser bem sucedido. Ou ainda, que para ganhar dinheiro, talvez você precise trabalhar 60 horas por semana, engolir mais sapos do que gostaria, lidar com gente arrogante, com chefe preguiçoso e com clientes mal educados. Em todos esses casos existe uma dor e uma recompensa.

Tem sempre aquele que vai dizer: “Mas fulano ficou rico fazendo o que gosta, por que comigo é tão difícil?”. Minha avó costumava ter um estoque de frases feitas e, embora eu achasse todas muito cafonas, essa ilustra bem essa situação:

“Todo mundo sabe contar quantas pingas eu bebo, mas ninguém vê os tombos que eu levo”.
– Vó Francisca

Com certeza não deve ter sido fácil para o fulano em algum momento, pode acreditar.

Muito antes de eu deixar o meu emprego para fazer essa viagem, eu tinha decidido que conhecer o mundo seria minha prioridade. Por isso, passei a planejar todas as minhas férias e feriados grandes com mais de seis meses de antecedência. Assim, teria tempo não só para juntar o dinheiro, mas também para parcelar o que fosse possível. Quando eu convidava amigos para me acompanhar, muitos não queriam ter o compromisso de planejar algo com sete ou oito meses de antecedência. Mas, e se eu mudar de emprego? E se eu arrumar um namorado? E se eu mudar de ideia? E se acontecer alguma coisa? Pois é, meu pai teve um AVC repentino e morreu em um Carnaval. Como ele passou alguns dias no hospital eu tive tempo para cancelar tudo. Quatro anos depois, por uma infeliz coincidência, minha avó também morreu no Carnaval, mas desta vez, eu estava viajando… Merdas acontecem…

Além disso, também me irritava profundamente cada vez que alguém que tinha um carro três vezes mais caro do que o meu ou usava uma bolsa que custava o preço da minha viagem toda, dizia: “Nossa, um dia eu vou ficar rica como você para poder viajar desse jeito.” 

Não dá para ter tudo na vida. Até mesmo as coisas que nos fazem muito felizes vão vir acompanhadas de algo que nos faz sofrer de alguma forma. Realizar um sonho significa deixar outras coisas para trás. Também significa que você tem de se sentir confortável com o sofrimento que a sua decisão vai trazer, ou então, aquilo que deveria te fazer feliz, vai ser o motivo da sua infelicidade.

Há alguns anos, muitas das minhas amigas começaram a ter filhos. Foi quando eu passei a acompanhar o dilema que é conciliar carreira e maternidade. O que percebi é que para ser uma executiva de sucesso, talvez você precise abrir mão de criar os seus filhos de perto e lidar com o fato de que talvez eles vão passar mais tempo com uma babá do que com você. Assim como se você tomou a decisão de abandonar tudo para criar os filhos, precisa estar confortável com a ideia de que suas amigas que continuaram trabalhando vão crescer profissionalmente enquanto você estará assistindo A Galinha Pintadinha. Por isso é tão importante ter clareza de que também é preciso aprender a lidar com o tipo de sofrimento que uma decisão como essa traz sem que você fique infeliz.

O que determina a nossa felicidade é saber lidar com o sofrimento. Por isso, a pergunta certa para quem quer ser feliz é: Você vai ser feliz enquanto estiver lidando com todo o perrengue que vai passar até realizar aquele sonho que você tanto deseja? Essa é a pergunta que realmente importa e é ela que vai te fazer sair do lugar. Se não, em vez de sonhos, você estará apenas alimentando fantasias que nunca se tornarão realidade.

Imagem: Okraken

O QUE É MINIMALISMO?

22 de outubro de 2013

Vocês já reparam como algumas palavras aparecem na mídia e, de repente, viram moda? De repente, algo que nunca tínhamos ouvido falar, começa a aparecer em todos os lugares.

Eu não estou aqui para criticar esses modismos, mas confesso que as vezes me incomodo com a forma com que esses assuntos são maciçamente explorados, principalmente na internet.

Um desses assuntos é o MINIMALISMO.

Minimalismo é a nova palavra da moda, principalmente entre pessoas que já se cansaram do consumismo desenfreado e agora estão prestando um pouco mais de atenção em coisas que o dinheiro não pode comprar, como a satisfação com a vida e a felicidade.

Mas, ser minimalista, não significa viver em um apartamento pequeno com poucos móveis modernos e brancos e não ter televisão. Também não significa se livrar de todas as roupas, não ter mais prazer algum fazendo compras e só pensar em viajar.

Minimalismo é muito mais do que um estilo de vida ou uma preferência estética. É uma ferramenta que pode ajudar a todos aqueles que estiverem dispostos a se livrar dos excessos em favor de se concentrarem no que é importante para encontrar a felicidade, realização pessoal e, principalmente, liberdade.

Quando identificamos o que não é necessário, começamos a tomar decisões mais conscientes e isso acaba nos libertando de medos, preocupações, angústias, culpa e das armadilhas do consumo que acabamos construindo em nossas vidas e que nos fazem sentir que estamos presos aos nossos empregos ou a determinados círculos sociais.

Para ser minimalista não existe regra. Não existem 10 passos que farão você se livrar de tudo o que é desnecessário da sua vida. Até porque, cabe a cada um saber o que é importante para si mesmo. Esta mudança está diretamente ligada ao que cada um entende como felicidade.

Por isso, não está errado querer ter um carro confortável, roupas bacanas ou uma bela casa se essas coisas são importantes para você e fazem a sua vida feliz. O problema está no significado real que essas coisas tem nas nossas vidas e no sacrifício que as vezes fazemos para possuí-las sem perceber o quanto elas arruinam nosso bem-estar, nossos relacionamentos e até mesmo nossa saúde.

Meu pai sempre achou que ter um carro bacana o fazia parecer bem sucedido aos olhos dos outros. Ele trocava de carro todo ano e por causa das prestações altíssimas ele deixava os filhos estudar em escola pública, parava de pagar o plano de saúde, nunca teve dinheiro para fazer uma viagem e acabava brigando com a minha mãe com frequência porque não sobrava dinheiro para coisas mais importantes. Será que a satisfação de ter um carro zero Km compensava tudo isso? Eu tenho certeza que não, até porque ele morreu aos 51 anos vítima de um AVC comprovadamente causado por anos de stress e de uma vida completamente cheia de excessos.

Leia também: POR QUE A MORTE DO MEU PAI ME FEZ UMA PESSOA MAIS FELIZ

Mesmo não existindo regras para se tornar minimalista, existem alguns caminhos que podem ser um excelente ponto de partida caso você esteja interessado em começar essa jornada. Foram três mudanças importantes que fiz na minha vida e que contribuíram para que eu fosse mais feliz no longo prazo:

1. Liquidei todas as dívidas

Para comprar tudo o que eu tinha vontade, eu me tornei a rainha das prestações e achava que o cheque especial fazia parte do meu salário. No momento em que eu fazia as compras eu ficava super feliz, mas era só olhar a minha conta negativa e a angústia e o arrependimento começavam. Depois de muito tempo pagando um absurdo de juros, me dei conta do quanto isso tirava o meu sono eu resolvi tomar uma atitude. Foi difícil, mas depois disso começou a sobrar dinheiro para fazer uma previdência, sair para jantar fora que é uma coisa que eu adoro e nunca podia fazer e viajar pelo menos duas vezes por ano. Troquei coisas que me faziam sentir culpada por experiências que me faziam feliz!

2. Diminuí radicalmente as idas ao shopping

Este era o meu lugar preferido para passar o tempo e passear. Adorava olhar vitrines e receber pilhas de catálogos em casa. Meu coração chegava a acelerar quando eu lia a palavra 50%OFF em uma vitrine. Além de sempre ter parcelas no cartão de crédito por causa disso, com o tempo percebi que 2/3 do que eu comprava eram usados apenas uma vez, quando não ficava esquecido no armário. Resumindo, para que comprar? Depois que parei de ir ao shopping eu percebi que eu não só deixei de comprar coisas inúteis, mas comecei a usar mais as roupas que eu já tinha em casa.

3. Abri mão de absolutamente tudo o que não tinha utilidade

Qual é a razão de manter uma coleção de 400 CDs em casa se você só ouve música pelo celular? Além de acumular poeira e ocupar espaço, não faz sentido ter apego a algo que não tem utilidade nenhuma. Quanto menos coisas inúteis você tiver em casa, menos tempo você ou sua faxineira vai passar limpando. Isso pode resultar em uma casa mais limpa, organizada e também em mais tempo para você fazer coisas mais interessantes do que limpar a casa.

Falando assim, parece que foi fácil. Mas, não foi. Esse processo todo demorou cinco anos para acontecer. O mais importante foi que uma coisa levou à outra quase que automaticamente. Depois de me livrar das dívidas não fazia sentido criar novas parcelas para comprar roupas e, depois de parar de comprar, não fazia mais sentido manter o que estava parado sem uso há tanto tempo.

Depois de perceber que viver dessa forma se tornou natural, eu me senti livre para fazer outras mudanças acontecerem, como pedir demissão para viajar 🙂

Gostaria de saber a sua opinião. Você concorda que o minimalismo pode ser um dos caminhos para ter uma vida mais feliz ou acredita que ainda vamos viver algum tempo na sociedade do consumo? Vamos bater um papo nos comentários!

E se quiser saber mais sobre o assunto, dá uma olhada no meu canal no YouTube!

Imagem: Shutterstock

Felicidade

SE EU PUDESSE ME ESCREVER UMA CARTA ANTES DE ENTRAR NA FACULDADE…

16 de outubro de 2013

Oi Fê,

Você provavelmente está lendo essa carta no ônibus, voltando para casa cansada do trabalho, mas tenho uma boa notícia: em alguns anos você vai ter seu carro. Vai demorar um pouco mais do que você gostaria, e ao contrário do que você pensa, ele não te fará ficar menos cansada, mas realmente vai ser um pouco mais confortável viajar da zona leste para os lugares onde você tem de ir.

Como eu sei disso? Porque eu sou você, daqui a 15 anos.

Estou te escrevendo essa carta de uma cidade chamada Siemp Reap no Camboja. Sim, aquele país lá na Ásia. Se você já tivesse acesso à internet em casa, tenho certeza que a primeira coisa que faria ao chegar seria pesquisar no Google.

Decidi escrever porque estava aqui pensando em você e em algumas coisas que eu aprendi nesses últimos anos e achei que poderia ser útil caso você soubesse antes de mim.

Para começar, pare de comprar roupas e vá fazer um tratamento de pele. Eu sei que custa metade do seu salário e não parece tão importante, mas você não faz ideia do quanto esse complexo por ter espinhas faz sua auto-estima ir pro saco. Se livrar das espinhas vai te fazer tão feliz que você vai se achar bonita com qualquer roupa, além de se sentir confiante para várias outras coisas. Não espere até os 26 anos para descobrir isso.

Depois disso, use protetor solar no rosto TODOS OS DIAS. Ah, e pare de achar que ser magrela é feio. Vai ter gente dando um dedo para ser magra desse jeito daqui a alguns anos.

Não se preocupe. Mesmo tendo feito colegial técnico e não tido aulas suficientes de química, física e biologia você vai passar no vestibular para aquela faculdade que você sempre quis. Não precisa nem fazer inscrição para outras, pois é nessa que você vai entrar. Mas se eu puder te dar um conselho, diria para esperar mais um ano, juntar todo o dinheiro que você puder, comprar uma passagem, arrumar um emprego de garçonete em algum lugar do mundo, ou ir trabalhar num navio, sei lá. Eu te garanto que entrar na faculdade aos 17 ou aos 20 anos não faz diferença alguma se você estiver fazendo algo que também te faça crescer de outras formas.

Mas, se realmente quiser entrar na bendita faculdade aos 17 eu vou entender, afinal, é difícil acreditar que a gente pode viajar e fazer algo diferente sem ter nascido rico, né? Mas eu te digo por experiência própria: viajar pelo mundo é muito mais fácil e barato do que você imagina. E muito mais enriquecedor e legal também.

Aproveite cada minuto da sua faculdade. Não perca uma festa, uma viagem. Serão momentos incríveis que nunca mais terão o mesmo gosto, mesmo que você faça duas outras faculdades depois. Além disso, saber estatística vai ser importante para a sua vida profissional, acredite em mim e entenda a matéria em vez de estudar para passar.

Pare de usar a falta de dinheiro como desculpa para não fazer exercícios. Nem tudo precisa ser feito na academia, desde que você esteja disposta a se mexer. Saia para correr na rua, faça parte do time de algum algum esporte na faculdade. Além de se divertir e fazer outros tipos de amigos, você vai me poupar muito esforço mais para frente.

Sabe aquelas suas amigas que são as melhores hoje? Elas continuarão sendo as melhores sempre. E aquela história de “você vai ser a madrinha dos meus filhos” dos bilhetes de despedida do colegial, sim, também é verdade.

Depois que você tiver parado de comprar roupas para fazer o tratamento de pele, não volte a comprar, e sim, comece a fazer um curso de inglês. Eu sei que você acha que seu pai deveria ter pago por isso, mas ele não entendia a importância de estudar outra língua ou investir grana em educação. Se não fizer isso agora, só vai retardar o seu contato com o mundo maravilhoso que existe fora do Brasil. Também sei que você não tem tempo, mas acordar cedo no sábado agora vai ser menos cansativo do que acordar cedo no sábado daqui a 8 anos e acredite, isso vai ser inevitável já que o tempo vai ficar cada vez mais curto.

Falar inglês vai ser importante para o trabalho, mas mais do que isso, vai te possibilitar conversar com pessoas do mundo todo e essa vai ser uma das suas maiores paixões, por isso, não espere tanto para começar.

Você vai achar que encontrou o amor da sua vida no final da faculdade, mas não vai dar em nada. Mesmo você achando que ele é sua alma gêmea e que você nunca mais vai achar alguém tão incrível, não sofra muito porque não vai valer a pena. O tempo vai te mostrar que vocês não tinham nada a ver. Aliás, por falar em amor da sua vida, lembra do inglês? Ele vai ser importante para isso também 🙂

Já te falei para usar protetor solar no rosto todos os dias? Acho que não vai ser suficiente. Use no pescoço e nas mãos também. Eu vou ser eternamente grata.

Mesmo que você não siga nenhum desses conselhos, ou siga apenas parte, sua vida vai ser ainda melhor do que você imagina que possa ser. E olha que só eu sei o quanto você sonha alto. Tudo o que você precisa fazer é continuar acreditando que nunca deve parar de aprender, ter foco e trabalhar duro. O resto, o universo vai se encarregar de fazer acontecer.

Deve estar quase na hora de descer do ônibus, por isso aqui vai meu último conselho: vá dormir assim que chegar em casa e tente ir dormir mais cedo todos os dias. Ao contrário do que você pensa, dormir não é perda de tempo.

Um beijo e até breve!

Imagem: Fernanda Neute