Felicidade

POR QUE O TRABALHO TEM FEITO TANTA GENTE INFELIZ?

14 de outubro de 2013

Semana passada, postei no Facebook do blog a entrevista do Professor Clóvis de Barros Filho para o Jô Soares. Logo depois de ter assistido, parei para pensar sobre o motivo pelo qual aquele vídeo foi loucamente compartilhado nas redes sociais. Minha melhor hipótese foi a paixão com que o Professor falava sobre a sua profissão e como ele é feliz com a escolha que fez (além das piadas, é claro!). Não é difícil imaginar como as aulas dele devem ser ótimas e é inevitável concluir que esse cara tem vocação para o que faz.

Desde que decidi largar o meu emprego e viajar, o que mais tenho ouvido das pessoas é: “Nossa, que inveja branca”, “Não aguento mais trabalhar como um louco e não ter tempo nem para gastar o que eu ganho”, “Um dia eu vou ter essa coragem e fazer algo que realmente me deixe feliz”.

Mas, por que esse povo está tão desanimado?

Os motivos podem ser vários, mas a questão é tão séria que virou motivo de pesquisa. Apenas 13% dos funcionários de empresas de todo o mundo estão realmente engajados com o seu trabalho. Em outras palavras, entre os 142 países estudados, apenas um em cada oito funcionários estão comprometidos com o que fazem e trazendo contribuições positivas para suas organizações. MEDO.

A vida profissional está atravessando um período crítico. O dinheiro, por incrível que pareça, está perdendo o poder, principalmente para aqueles que já estão em posições privilegiadas. Uma vez que já se tem o dinheiro, a nova moeda vira a satisfação com a vida. Aquela vida estável depois de anos de trabalho estafante antes da aposentadoria não nos parece tão atrativa quanto era para os nossos pais.

Mas é óbvio que pedir demissão e ir viajar também não é a solução para esse problema, principalmente por não ser algo acessível para todo mundo. Além disso, tirar um período sabático pode ajudar e muito a clarear as ideias, fazer você mudar de carreira, abrir um negócio ou apenas te dar um gás para voltar ao seu trabalho antigo, mas a grande verdade é que precisamos do nosso trabalho e mais ainda, do trabalho das outras pessoas para viver. O problema é que se apenas um em cada oito funcionários está feliz com o que faz, seja lá qual for o motivo, cada vez mais os produtos e serviços serão uma merda, concordam?

Será que tem solução?

Em uma das minhas pesquisas, encontrei algo bem interessante sobre a felicidade em relação ao trabalho. São conceitos óbvios, mas que quando paramos para pensar, ajudam a responder um pouco mais sobre a razão pela qual tanta gente está descontente.

Existem três jeitos de olhar para o trabalho: tarefacarreira e vocação.

Tarefa é algo que você cumpre em troca de um pagamento, sem procurar outras recompensas.

carreira está vinculada a um investimento profissional mais profundo. Você trabalha pelo dinheiro, mas também pela ascensão e reconhecimento profissional.

E a vocação é o compromisso apaixonado pelo trabalho. Quem tem uma vocação vê seu trabalho como uma contribuição para um bem maior, para algo além de si mesmo. O trabalho em si é o fator de realização, ainda que não haja dinheiro ou promoções em jogo.

Com esses três conceitos em mente, eu comecei a lembrar de todo mundo que já esteve trabalhando comigo, seja dando aula, como colega de trabalho ou oferecendo um simples serviço. É chocante perceber que são pouquíssimas as pessoas que trabalham por vocação. Mas quando paramos para pensar, elas provavelmente eram nossos professores preferidos, um colega ou chefe que admiramos muito ou nosso cabeleireiro! Esses profissionais, sem dúvida nenhuma, são os que oferecem as melhores experiências, os que trabalham mais felizes e os mais bem sucedidos naquilo que fazem, independentemente da profissão.

Mas para ficar mais fácil de entender, vou pegar um exemplo bem conhecido de quase todo mundo: o nosso querido gari Renato Sorriso!

FELIZ COM A VIDA_renato sorrisoSe pararmos para pensar a tarefa de um gari é varrer e recolher o lixo. Uma vez que ele a realiza, é pago por isso, mesmo que não tenha feito um excelente trabalho. Se o objetivo dele é ter uma carreira para ganhar mais e parar de varrer as ruas, ele vai fazer sua tarefa melhor do que todos os outros e pode ser promovido a chefe dos garis. Mas se o objetivo dele é fazer do mundo um lugar mais limpo e prazeroso de se viver e entender que seu trabalho contribui para isso, ele vai fazê-lo sambando na Sapucaí e virar uma celebridade internacional, porque esta é sua vocação!

Por isso é tão importante entender o motivo pelo qual você não está feliz e qual é o seu papel no mundo. Como você enxerga seu trabalho: tarefa, carreira ou vocação? Nenhum deles está errado, mas cada um gera um resultado diferente e é preciso entender se o jeito que você realiza está alinhado com as expectativas que você tem. Não adianta fazer sua tarefa bem feita, mas sem comprometimento, e esperar que ela seja reconhecida como algo que faz diferença na vida das pessoas. Também não adianta ficar frustrado porque você tem três anos de “firma” e não é promovido, se você não se dedica muito mais do que a média dos seus colegas. Quando você é capaz de fazer uma auto-avaliação honesta e identificar o problema, fica mais fácil entender o que não está dando certo e mudar.

Outra coisa importante: se dê uma chance. Digo isso porque sempre amei escrever e contar histórias, mas nunca achei que isso pudesse me levar a lugar algum ou fosse me fazer ganhar dinheiro. Hoje, mesmo não ganhando um centavo para escrever aqui, isso me faz tão feliz quanto viajar e conhecer lugares novos.

Eu realmente acredito que aqueles que encontram sua vocação não se importam em trabalhar mais horas do que o normal, nem se estão sendo pagos ou não. Não coincidentemente, são esses os profissionais que quase sempre ganham mais dinheiro, já que tendem a ser os melhores e os mais apaixonados por aquilo que fazem :).

Foto Renato Sorriso: J. C. Oliveira

Algumas imagens vêm de fontes diversas e por isso, nem sempre autorizadas. Se alguma imagem de sua autoria estiver no blog e você desejar ter o crédito ou a remoção, favor enviar um email para fernanda@felizcomavida.com e faremos os ajustes necessários.

Some pictures of this blog come from multiple sources. If one of your images is on the site and you want it removed please write to fernanda@felizcomavida.com.

You Might Also Like

35 Comments

  • Reply Maria Antonieta 14 de outubro de 2013 at 15:07

    Perfeito, para refletir!

  • Reply Ricardo 15 de outubro de 2013 at 17:20

    O “problema” da Vocação é que só conseguimos realizá-la de fato, depois que já construimos uma carreira. A gente passa muito tempo fazendo tarefas que não nos deixam felizes, para anos depois darmos uma chance a nossa vocação (felicidade). E isso só acontece porque temos que ter a garantia (dinheiro) de que se essa loucura de fazer a sua vocação (o que realmente te faz feliz) der errado, não vamos ficar quebrados e morando na rua.

    Ou basta ter coragem e abrir mão de algumas coisas (como a Fê fez provavelmente).

    • Reply Fê Neute 16 de outubro de 2013 at 04:48

      Oi Ricardo!
      Eu entendo o seu ponto, pois sempre tive o mesmo pensamento que você, exatamente o mesmo. Mas o que percebi com o tempo é que não é bem assim. Por isso eu coloquei o exemplo do gari Renato Sorriso. A gente tende a achar que vocação é coisa de médico, advogado ou de gente bem sucedida, que ama o que faz depois que começa a ganhar dinheiro, mas não é bem assim. Isso é carreira.
      Isso era o que eu sentia sobre a minha profissão. Eu adorava o status, o salário, as discussões com pessoas inteligentes, mas no fim das contas, não via propósito nenhum no resultado do meu trabalho.
      E isso é o que a vocação tem de diferente da tarefa e da carreira. É o resultado do trabalho que te da prazer e não o dinheiro ou qualquer outra recompensa. Vocação é aquilo que faz uma manicure se sentir especial quando sua cliente sai do salão mostrando as unhas bem feitas para as amigas. É o que faz aquele professor de física que, mesmo ganhando uma merda de salário, dar as melhores aulas na escola pública e se sentir realizado porque todo mundo gosta da sua matéria. Como eu disse no texto, nenhum dos conceitos está errado, mas eu por exemplo, sentia falta de fazer um trabalho que pudesse inspirar/ mudar a vida das pessoas de alguma forma e por isso decidi mudar meu caminho (pelo menos por um tempo) para ver no que vai dar 🙂

  • Reply Cintia Grininger 16 de outubro de 2013 at 19:04

    Não sei se quem tem vocação ganha mais dinheiro, por trabalhar mais e mais feliz. Mas acho que trabalhar feliz não tem preço, se der pra viver decentemente em termos financeiros.
    Eu me identifiquei muito com a sua resposta acima. Também tinha uma carreira, adorava o salário, o status, as “perspectivas de crescimento”, as viagens. Mas não via muito propósito no trabalho em si, e quando engravidei e passei a ter um propósito e uma tarefa muito maiores diante de mim, deixei minha carreira de lado e passei a me dedicar somente a ser mãe. O plano inicial não era que fosse por tanto tempo, mas acabei tendo mais um filho, e novamente a volta ao trabalho ficou em hold.
    Se sinto falta de trabalhar? Sim, com certeza. Do salário, das conversas adultas. Mas tenho medo de voltar a trabalhar como antes, e ficar ainda mais cínica, ou ainda não render o que rendia antes. Hoje, talvez, uma tarefa me satisfizesse, um trabalho em troca de salário, pois minha prioridade maior ainda são meus filhos pequenos.
    Enfim, muito bom seu post, ótima reflexão. E vou ler os anteriores… pelo que vi, vc fez o que quis muito e não tive coragem, quando era mais nova: largou tudo e foi viajar pelo mundo….

    • Reply Fê Neute 17 de outubro de 2013 at 06:41

      Oi Cintia,
      Obrigada pelo elogio e o seu comentário fala de um assunto que eu pensei muito enquanto estava escrevendo, que é a vocação para ser mãe.
      Definitivamente, eu acho que muita gente tem filhos sem ter vocação para isso. Tenho muitas amigas mães e algumas fizeram o mesmo que você, mas assim como abandonar o emprego para tentar algo diferente, largar tudo para cuidar dos filhos pequenos é algo que exige muita coragem, por isso, parabéns!
      Espero que você goste dos outros textos continue me visitando por aqui!

      • Reply Cintia Grininger 17 de outubro de 2013 at 18:24

        Ih, menina, esse assunto maternidade x carreira rende um monte… e tenho cada vez mais certeza que o mundo corporativo, pelo menos no Brasil, não está nada preparado para as profissionais mães.
        Também concordo que tem um monte de gente que tem filho mas não tem vocação, e por isso terceirizam o quanto podem a criação dos pequenos. Mais um assunto sem fim…
        Estou adorando seus textos! Super boa sorte nessa sua empreitada! Além da viagem em si, é uma busca de autoconhecimento e amadurecimento.

  • Reply Bruna 22 de outubro de 2013 at 17:01

    Nunca me esqueço de uma frase que diz: “Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida…”.

    Acredito que é exatamente isso. Muitas pessoas hoje em dia são frustradas e péssimos profissionais justamente porque pensam apenas no dinheiro que vão receber. Eu jamais conseguiria trabalhar em algo que eu não me identifique e me sinto muito sortuda por trabalhar com algo que eu gosto.

    As pessoas deveriam se permitir mais. Procurar coisas que gostam de fazer. Já que passamos 1/3 ou mais do nosso dia e da nossa vida no trabalho, se não fizermos algo prazeroso, entraremos num colapso!

    Estou adorando seu site! Obrigada por compartilhar tanta coisa bacana!

  • Reply Michelle 13 de janeiro de 2014 at 11:24

    Gostei muito do texto! Tenho 26 anos, estou completamente perdida! Estou começando a achar que vocação, não é para todos!
    Nunca tive uma paixão realmente por algo. Muitas vezes escutamos alguém falar: “ah, desde pequeno eu já sabia que queria ser X coisa”. Nunca fui assim.
    Até hoje não consegui um trabalho que me pagasse bem, muito menos um que não pagasse bem, mas que eu me sentisse feliz.
    Acabei de pedir demissão de um estágio que estava sendo completamente desvalorizada, agora estou aqui, sem rumo.
    Difícil toda essa frustração não afetar a vida pessoal. Estou naquela fase de “estou ficando deprê”. Simplesmente não consigo aceitar um emprego que me faça completamente infeliz, só pelo dinheiro, me sinto mal…
    Enfim, fico feliz por saber que existem pessoas que trabalham com prazer, gostaria de saber como é esse sentimento.

    • Reply Fê Neute 14 de janeiro de 2014 at 07:03

      Oi Michelle,
      Se isso te consola a minha “virada” profissional aconteceu exatamente nos meus 26 anos. Até então, minha vida era trabalhar para cobrir a conta negativa e mal dormir de preocupação por causa de dinheiro. Foi só aos 26 que eu consegui organizar a minha vida financeira e as coisas começaram a melhorar. Conforme fui me sentindo mais segura, comecei a me sentir mais feliz com o que fazia, afinal, estava ganhando dinheiro (não muito, mas o suficiente). Depois de 5 anos, quando meu salário era realmente muito bom eu percebi que faltava alguma coisa.

      Não se desespere por não saber a sua vocação e concordo com você, muita gente passa a vida inteira sem saber qual é e isso não é um problema.
      Também vou te dizer uma outra coisa. Eu fiquei no meu último emprego (dos 24 aos 32) e os primeiros 3 anos foram um inferno. Eu odiava o cliente com que eu trabalhava e chorava regularmente, mas tinha tantas dívidas que não podia nem sonhar em pedir demissão naquele momento.

      Como não podia desistir, fiz o meu melhor e demorou, mas fui recompensada. Por isso, dar uma chance àquilo que a gente não gosta é uma forma de encontrar o reconhecimento mais a frente. Não sei qual é a sua situação atual, mas acho que isso vale para quase tudo na vida 🙂
      Boa sorte e espero te ver sempre por aqui!

      • Reply nancy 6 de agosto de 2014 at 09:23

        Ow, sendo v tão atenciosa, Fê Neute, não resisti a ” dar uma contribuição na sua pesquisa “. Eu acho que o problema da vocação é a desproporção. Num grupo, num conjunto qualquer de pessoas a maioria gostaria de ter a remuneração maior. Com a maior remuneração consegue-se ter um bom imóvel e perder menos tempo no transporte, ter um parceiro ou parceira mais bonito, ter um carro que dá a liberdade de circular à noite e nos finais de semana, comer comidas mais saborosas, ter bons agasalhos no frio e usar sapatos macios. Acho que esse problema da vocação é que, se todos só gostam das melhores condições de trabalho, num mundo em que as piores condições de trabalho são a regra, 90 por cento das pessoas vai ter que se sacrificar. Acho que o problema não é com as pessoas. O problema é que o capitalismo doutrinou várias gerações e agora ninguém mais consegue construir um novo paradigma para as relações do trabalho. Um paradigma que exija que todos se esforcem para trazer novos conhecimentos para o mundo mas que não puna aqueles que não conseguiram contribuir. Porque ganhar muito pouco é uma penalização, um castigo que é cumprido por gerações sucessivas de uma família que herdam a posição de trabalhador. Trabalhador costuma ser o homem ou mulher que se desloca de locais distantes, usa uniforme para trabalhar, não tem dinheiro para almoçar e tem que carregar numa mochila tudo o que precisará das 5 da manhã até a meia noite. Eu acho que os 80 por cento de infelizes são as pessoas que passam a vida sob essas restrições.

        • Reply Fê Neute 6 de agosto de 2014 at 13:13

          Oi Nancy,
          Obrigada pelo seu comentário. A minha ideia com o blog é sempre gerar uma discussão sadia com vários pontos de vista.
          Eu acho que hoje, as pessoas associam dinheiro com felicidade e muito por conta da sociedade capitalista que você menciona.
          Mas, na minha opinião, o problema não está no capitalismo e sim na forma com que interagimos com ele e principalmente, na forma com que o governo se utiliza disso incentivando mais o consumo do que a educação, por exemplo.
          Acho que para ser feliz é preciso ter as necessidades básicas atendidas e concordo que muitos trabalhadores hoje em dia não conseguem nem isso. É difícil ser feliz acordando as 5h, ficando dentro do transporte público lotado por quase 5 horas do seu dia e dormindo 6 horas por noite. Porém, o ponto que eu coloco nesse texto não é para essas pessoas.
          Meu ponto é em relação àquele que quer o que o outro tem, mas não faz o que o outro faz para ter. É aquele que reclama da empresa que trabalha, mas não faz nada para melhorar e culpa o ambiente. Digo isso porque eu já fui uma pessoa que morava na Zona Leste, trabalhava na Zona Sul e estudava a noite na Zona Oeste de São Paulo, fazendo tudo isso de ônibus, levando marmita e esperando para jantar a meia noite porque não tinha dinheiro para comer na rua. Eu também trabalhei em empresas em que muitas pessoas reclamavam que não eram reconhecidas, mas o engraçado é que eu não tinha a mesma visão, sabe por que? Porque sempre fiz a minha parte da forma mais correta e bem feita que poderia ser feita e em consequência, sempre recebi reconhecimento fosse verbal ou em forma de aumento de salário.
          Sinto que muita gente hoje também não tem paciência para esperar as coisas acontecerem. Querem começar a trabalhar e serem promovidas. Muita gente está de olho no lugar do chefe, mas poucos fazem o que é preciso para chegar lá.
          Sobre a vocação, eu não acho que ninguém deva trabalhar de graça ou ser explorado para fazer o que gosta, mas acho que quando se acredita no que se faz as chances de fazer bem feito e ser reconhecido por isso são bem maiores. Não por acaso eu citei o exemplo de um gari e não de um médico 🙂

  • Reply Rafael 13 de fevereiro de 2014 at 23:36

    Fê, gostei da reflexão e da divisão teórica entre tarefa, carreira e vocação. Entendo que cada pessoa tem a sua própria forma de encontrar propósito no trabalho. Não considero a vocação a única possibilidade. Há aqueles que são felizes ao construir uma carreira, um status, obter “reconhecimento” e evolução hierárquica. E aqueles que conseguem encarar o trabalho apenas como uma tarefa mesmo, sem remorsos. Algo que vai servir para custear suas necessidades e desejos. E concentram sua energia maior, digamos assim, em projetos paralelos de vida.

    O que apenas me preocupa no texto é o último parágrafo. Posso ter feito a leitura errada, mas é preciso cuidado com essa questão de não se importar em “trabalhar mais horas que o normal, nem se estão sendo pagos ou não”. No trabalho assalariado, por mais paixão que possamos ter por aquilo que fazemos, devemos ser remunerados de acordo com a carga horária cumprida. Talvez nem tenha sido essa a intenção do que vc escreveu, mas deixo esse alerta. Muitas vezes o empregador utiliza o discurso do profissionalismo, do dever do empregado para com a função, da importância social do trabalho, etc, para justificar a exploração e o fato de seus direitos trabalhistas não serem cumpridos. Ou, no mínimo, para obrigar o empregador a fazer sucessivas horas extras por dia.

    • Reply Fê Neute 14 de fevereiro de 2014 at 02:23

      Oi Rafael,
      Obrigada pelo seu comentário.
      Sobre o último parágrafo, o que eu não estava pensando no trabalho assalariado ou na falta de profissionalismo de alguns empregadores (que infelizmente existe), mas sim no prazer em fazer o trabalho que pode ser de qualquer tipo.
      Pegando o meu exemplo atualmente. Não ganho um centavo para publicar aqui, mas é algo que me dá tanto prazer que não me importo em fazer a noite ou nos fins de semana. Nem sempre o prazer em fazer algo está relacionado ao dinheiro 😉

  • Reply Francine Curivil 19 de fevereiro de 2014 at 19:50

    Boa tarde, Fê!
    Gostaria de te agradecer por ter escrito esse texto. Eu estava precisando muito do que li aqui.
    Muito obrigada!!

  • Reply Carol 3 de abril de 2014 at 01:31

    Nossa, adorei a reflexão e o enfrentamento coletivo desse “mal”, que é a insatisfação como o trabalho. Tenho uma profissão estável na qual ingressei por meio de concurso público que me exigiu anos de estudo. Agora tenho dez anos de carreira e me sinto totalmente desmotivada. Pensei seriamente buscar ser feliz em outra área. Obrigada me fazer sentir que não estou sozinha.

  • Reply Aline 2 de julho de 2014 at 15:26

    Nossa, nunca imaginei encontrar isso por aqui… Foi perfeito, obrigada…

  • Reply Amandaline 15 de julho de 2014 at 12:00

    Oi tudo bem, gostei muito da materia, porém gostaria de dar minha opinião.
    Devemos também relatar que muitas empresas estão acabando com os ”bons” funcionários, aqueles que seguem a risca todas as normas e regras que fazem mais do que poder para ter o reconhecimento e mesmo assim não acontece.
    O funcionário fica desgastado sem estimulo e vai perdendo a vontade de estar e cumprir suas tarefas.
    E assim fica infeliz e até mesmo com problemas de saúde, primeiro emocional pois não esta sendo reconhecido como gostaria depois de tantos esforços e segundo o corpo com o físico sofrendo reações de cansaço.
    Obrigada.

    • Reply nancy 6 de agosto de 2014 at 09:34

      Oi, Amandaline, gostei do q v disse. Vários livros de auto ajuda falam sobre dar o máximo de sí esperando recompensa e depois ” comprar um rifle e matar o chefe e todos os colegas ” porque a tal recompensa foi dada a outrem. Realmente, se todo mundo já sabia que isso acontece, nada poderia ser mais inteligente do que cortar-se esse mal pela raiz.

  • Reply alexandre 22 de julho de 2014 at 11:12

    Bom dia < gostei do que li acima e estou passando uma fase ruim na empresa em que trabalho .
    estou há dezessete anos na mesma empresa e dez anos como gerente e de um tempo pra ca não tenho conseguido chegar nas metas e isso me desmotiva muito e não vejo a hora de fds
    chegar , estou trabalhando irritado sem pique empurrado contando as horas pra ir embora .
    Mas agora vou refletir no assunto para ver se melhoro e volto a ter prazer no meu trabalho <

  • Reply Vinicius Amaral 17 de setembro de 2014 at 20:32

    Oi! Me identifiquei demais com o texto. Não tenho o hábito de comentar em blogs, aliás, acho que nunca comentei mas aqui fiquei com vontade de compartilhar.

    Bem, em resumo, tenho 23 anos e já não quero ganhar muito pra poder comprar tudo. Com 2 salários mínimos por mês, comprei uma casa e não tenho dívidas e nem uso o cartão de crédito. Cada passo que dei, juntando o dinheiro e criando essa disciplina financeira me permitiu amadurecer bastante. Mas então cheguei onde estou.

    Insatisfeito com o trabalho. Não há nenhum motivo que me faça querer sair da cama. Encaro como tarefa e já fiz o que pude para mudar a forma de enxergar isso. O pior de tudo é não conseguir encontrar nada que me dê prazer.

    Estou perdendo o prazer em coisas simples como ver um filme, jogar alguma coisa ou ler um livro. Basicamente, me sinto sofrendo do FOMO como vc comentou em outro post.

    FOMO ao me distrair e trabalhar pois era pra estar buscando um sentido pra viver ao invés de estar ali.

    Não sei o que fazer e nem mais o que pensar. Não acho motivação em nada, até por que não consigo encontrar algo novo que me atraia.

    Bem… Desabafei demais né?

  • Reply Bárbara 29 de janeiro de 2015 at 16:24

    Oi Fê!
    Amando seus textos… ler esse post me ajudou muito, muito mesmo. Obrigada por tudo =)

  • Reply Bruna Ferreira 22 de janeiro de 2016 at 21:36

    Sabe aquele momento que tu lê/conhece um texto/blog na hora certa?! Este está sendo um desses momentos. Estou apaixonada pelo seu trabalho, e por cada palavrinha que você escreveu com muito amor e dedicação, estou amando muito tudo isso viu. Parabéns, espero que seu texto ajude muitas pessoas 😀 Beijão :3

    http://www.brunaferreira.com.br/

  • Reply Aline Bastos 21 de maio de 2016 at 21:36

    Mais uma que seu texto e comentários ajudaram muito. Estava mesmo precisando. Muito obrigada!

  • Reply Melina Izumi 7 de junho de 2016 at 06:04

    Puxa que show seus temas…realmente é isso, colocamos mascadas em nós mesmos com medo do julgamento da sociedade, porém a sociedade não vive a realidade! Estou em processo de auto conhecimento intenso e obrigada por adicionar muito no meu despertar.

  • Reply LUIZ VIANA 29 de julho de 2016 at 13:56

    Curiosamente, eu não consigo dizer que o texto foi “excelente”, “maravilhoso”, “mudou minha vida”. Achei-o bom. Se me colocam para conferir relatórios, faço-o com vontade. Se for para atender o público, sem problemas. Se for para dar aula de Inglês, estou dentro. Faço tudo com vontade! Não preciso fazer o que gosto para gostar do que faço. Tenho dificuldade em entender porque algumas pessoas estão sempre pra baixo, mal humoradas, de mal com a vida. Vejo isso no meu trabalho. Pessoas, independente da idade, que só levantam da mesa porque são obrigadas a marcar o ponto eletrônico.

    • Reply John 19 de agosto de 2016 at 15:27

      Seja professor de ensino básico é você muda de ideia rapidinho

  • Reply LUIZ VIANA 29 de julho de 2016 at 13:59

    Hoje fui fazer uma entrevista para Mestrado em Saúde Pública. Daí um colega do trabalho perguntou: você ainda tem paciência pra isso? Ta doido! Ele tem 60 anos, eu 61. Por que não teria? A vida é eterna enquanto dura. Volto a dizer, eu posso gostar do que faço mesmo sem fazer o que gosto. Mas já vi que as pessoas, em sua maioria, não são assim. Minha ignorância me impede de entender porque muita gente só está feliz se fizer o que gosta.

  • Reply LUIZ VIANA 29 de julho de 2016 at 14:05

    Quer estar feliz, vivo, não ficar em casa com o controle remoto na mão? Aceite convites de amigos para qualquer coisa; faça um esporte qualquer; faça aulas de Inglês, violão, canto. Enquanto exerce essas atividades está vivo, em movimento, com a cabeça ocupada. E não me venha com aquela de que “falta dinheiro”. Conversa. Hoje em dia há vários programas gratuitos por ai. E sair com um amigo (a), andar a pé, correr, sentar no banco da praça, falar do vizinho, etc não gasta nada.

  • Reply LUIZ VIANA 29 de julho de 2016 at 14:10

    Aos 40 anos comecei a aprender a jogar tênis. Muitos já estão meio mortos nessa idade. Hoje, levanto às 6 da manhã aos sábados e domingos para jogar com amigos. Fico na quadra até às 14 horas. E enquanto isso estou vivendo. Né? Só estou falando isso pra mostrar que podemos ser felizes mesmo quando não estamos fazendo aquilo que gostaríamos. Há outras opções. Só buscá-las. As empresas visam ao lucro, logo primeiro pensam nela, depois em você. Não pense no emprego dos sonhos. Pense que mesmo que ele não seja o que você queria, você pode fazer com que ele não seja um pesadelo. Tá?

  • Reply John 19 de agosto de 2016 at 15:31

    To na profissão de professor, não aguento mais alunos mal educados, salário baixo, profissão de merda mesmo, arrependi até o último

  • Reply Teobaldo 16 de setembro de 2016 at 13:21

    Sei não. As vezes acho que só seria feliz se pudesse ficar só viajando por aí. Alguns empreendedores conseguem fazer isso e obter sustento, mas o empreendedorismo nunca foi meu forte. Não tenho o que reclamar da vida, tenho mais conforto que a maioria das pessoas que conheço, mas honestamente me sinto infeliz todos os dias de trabalho e nem tenho certeza se o problema é a empresa ou a profissão. Então, tento curtir os finais de semana e as poucas horas de folga, e a maior parte do tempo evito reclamar porque, de fato, não tenho esse direito. Há muitos anos penso em como mudar de vida, mas, mesmo considerando-me um tanto inteligente não consigo nem começar :/

  • Reply Ana Paula 24 de outubro de 2016 at 12:08

    Como sempre seu texto levanta ótimas questões a serem repensadas. O profissional bem sucedido nem sempre é aquele que ganha salário maior, mas o que tem vocação e é feliz no trabalho. Parabéns pela maravilhosa redação… Suas produções enriquecem minha vida e me fazem feliz.
    Abraços.

  • Reply Anderson ramos de Sousa 25 de abril de 2017 at 23:17

    Parabéns pelo seu texto . Achei ele de uma grande sensibilidade e autenticidade. Estou neste momento em minha vida , saindo de uma área que não me faz feliz e tentando encontrar algo que independentemente eu venha ganhar, me traga lá no fundo de meu coração aquela coisa que deve ser maravilhosa quando uma pessoa se aposenta: Meu coração​ bateu mais forte que a razão e obrigação . Sucesso e felicidade sempre .

  • Reply Gomes 17 de maio de 2017 at 11:16

    Oi

    Trabalho em uma empresa de cobrança a qual estou insatisfeito por inúmeros motivos.

    Sinto que estou me torturando todos os dias, sendo que acordo às 05:30 da manhã sabendo que não prosseguirei como profissional dentro desta instituição.

    Tinha como objetivo ficar apenas 1 ano até arrumar outro melhor, no entanto, os dias foram se passando e não vejo um bom negocio largar tudo e procurar um sentido para vida.

    Vejo milhares de pessoas em casos semelhantes ao meu, porém ficam angustiados pois é necessário trazer para dentro de suas casas o sustento de suas famílias.

    Pode me ajudar, por favor ?

    • Reply Fe Neute 21 de maio de 2017 at 12:51

      Você não precisa necessariamente largar o emprego para encontrar o sentido da vida, muitas vezes, apenas mudando de ambiente conseguimos nos sentir mais felizes. Talvez procurar um novo emprego seja uma boa alternativa.

    Leave a Reply