FELIZ COM A VIDA Vida Nômade

A VERDADE SOBRE UM PERÍODO SABÁTICO E POR ONDE ANDEI EM 2016!

21 de janeiro de 2017

Quem me acompanha nas redes sociais tem certeza de que 2016 foi, sem dúvida, o melhor ano da minha vida. Me mudei para a minha cidade favorita no mundo, casei com o meu grande amor em um dia lindo, passei o ano inteiro sem trabalhar e pensando em qual seria o próximo passo em relação à minha carreira.

Realmente, poucas pessoas têm a oportunidade de fazer tudo isso em um ano e eu sou muito grata por ser uma delas. Mas, nos bastidores, 2016 também foi um dos anos mais difíceis da minha vida.

– Calma, peraí, você tá me dizendo que mesmo com todas as coisas incríveis que aconteceram, você teve um ano difícil?

Sim, é isso mesmo.

As pessoas têm uma ideia errada do que é uma vida feliz. Quase todo mundo tem a sensação de que uma vida feliz é uma vida sem problemas, mas essa visão é totalmente errada. Eu tive um ano muito feliz, sem dúvida, mas no meio de tudo isso, tive de lidar com muitas coisas que eu não estava preparada e isso nem sempre é fácil ou prazeroso.

Vamos por partes:

2016

Logo no início do ano, tipo primeira semana de janeiro, eu recebi um diagnóstico de um possível câncer de tireóide. Nem preciso falar que meu mundo caiu. Estava no Brasil para resolver umas coisas burocráticas, planejar meu casamento e tentar decidir onde morar e, do nada, foi como se tivesse caído uma bigorna na minha cabeça. Para completar, eu estava sem plano de saúde, já que o que eu tinha antes só era válido quando eu estava fora do Brasil…

Depois de procurar uma segunda opinião, fazer uma tonelada de exames e gastar uma fortuna, recebi a boa notícia de que eu tinha sido vítima de um diagnóstico errado e que tudo não passou de um grande susto. UFA!

Só que ninguém sai de um “susto” desse ileso. Eu cancelei uma viagem por causa disso e passei quase uma semana sem saber se eu estava doente ou não. Tempo suficiente para me fazer pensar MUITO na vida e no que eu estava fazendo com ela desde que decidi largar tudo e viajar.

A grande verdade é que eu não estava feliz. Estava cansada de viajar como nômade sem ter uma casa para voltar. Também estava cansada da vida de freelancer, ou seja, de trabalhar o dobro do que eu trabalhava antes e não ganhar nem a metade e ainda lidar com mil probleminhas irrelevantes todos os dias. Estava cansada de não ter uma rotina estabelecida e, principalmente, de não estar cuidando da minha saúde da forma que eu gostaria.

Tudo isso me fez decidir que 2016 seria o ano em que eu pararia a minha viagem pelo mundo para viajar para dentro de mim mesma. Aquele período sabático que eu pensei que tiraria quando pedi demissão em 2013 para viajar, iria finalmente acontecer.

Eu queria construir um novo lar, planejar meu casamento, me dedicar a uma atividade física e, com sorte, encontrar uma nova paixão, um novo propósito para a minha vida, já que uma certeza eu tinha: não queria mais trabalhar com propaganda, fosse em agência ou como freelancer.

O SABÁTICO

Nesses últimos 3 anos eu recebi incontáveis mensagens de pessoas que estão pensando em tirar um período sabático e gostariam de me pedir dicas.

Elas estão cansadas da vida que levam, da carreira, do namorado, foram demitidas ou levaram um pé na bunda e acham que viajar é o que elas precisam para encontrar seu propósito, mudar de carreira, ter uma grande ideia para um negócio ou encontrar um grande amor.

É claro que sempre vai existir uma Liz Gilbert no meio de 1 milhão de pessoas que conseguiu fazer tudo isso (quem não sabe do que eu estou falando, ela é a autora de Comer Rezar Amar). Mas, ainda que a vida dela tenha tido uma super reviravolta depois do sabático, se você leu o livro (não vale o filme, só se leu o livro mesmo) vai saber que houve muita dor e sofrimento nesse percurso.

Olhar para dentro e enfrentar os próprios medos, inseguranças, limitações, demanda mais coragem do que simplesmente pedir demissão, vender tudo, fazer uma mala e entrar em um avião. E a diferença entre a sua viagem de férias, aquela que você desliga o celular, esquece do trabalho e vive uma vida maravilhosa por 20 dias e um sabático é que, nessa viagem, você não pode fazer o mesmo. A vida e todos os problemas que existem nela viajam com você.

Foi exatamente o que aconteceu comigo. Eu não estava feliz com o meu trabalho e com a vida que eu estava levando em São Paulo, mas achava que era porque eu queria ter mais tempo e mais liberdade para viajar, já que isso era a coisa que me fazia mais feliz. O que eu descobri foi que eu viajava para fugir do meu dia a dia e era aquela leveza de não precisar me preocupar com nada por 15 ou 20 dias que me fazia feliz e não só a viagem em si.

Eu ficava deprimida quando as férias acabavam porque eu não queria voltar para a minha realidade e assim que eu chegava, imediatamente começava a planejar a próxima para ter algo para olhar lá na frente e me manter firme e forte no trabalho.

Quando decidi virar nômade digital e trabalhar como freelancer, eu achei que tinha encontrado a solução perfeita para a minha vida. Rapidamente eu percebi que o fato de estar viajando e conhecendo novas culturas e lugares não estava me deixando feliz como eu pensei. Sabe por que? Porque eu estava carregando não só o trabalho, mas tudo aquilo que eu queria fugir durante as férias dentro da mala todos os dias.

Foi por isso que eu decidi parar com tudo e finalmente tirar o meu sabático no momento em que eu “voltei para casa”. Sem as distrações da viagem e sem a necessidade de trabalhar (para dar entrada no Green Card você e seu marido/esposa precisam comprovar que têm como se sustentar durante todo o processo, já que a pessoa que está aplicando não pode trabalhar nos Estados Unidos até receber a permissão) eu poderia me dedicar a essa busca da nova Fernanda.

UM ANO DEPOIS

Eu queria muito terminar esse texto dizendo que neste ano eu encontrei o meu propósito e estou feliz e saltitante vivendo uma vida glamourosa em Nova Iorque, mas que graça teria se a vida fosse assim tão perfeita, não é?

Se eu me arrependi de ter largado tudo para começar de novo, de novo? Jamais! Eu só sei de tudo isso hoje porque um dia eu fui lá e fiz e depois fiz de novo e farei quantas vezes eu achar que preciso.

E você que tem dúvidas se deve tirar o seu sabático minha dica é: VÁ, TIRE! Mas vá de coração aberto sabendo que nem sempre a resposta estará em uma viagem ou em um período sem trabalhar. Faça isso sem a expectativa de que você vai encontrar respostas, pois talvez você só encontre mais perguntas e  tá tudo bem, faz parte da experiência e do processo.

Se eu ainda pretendo viajar? Muito! Mas não mais para fugir de nada, ou pela necessidade de CONHECER-TODOS-OS-LUGARES-DO-MUNDO. Eu quero viajar para passar tempo com amigos, para comer minhas comidas preferidas, para voltar a lugares que me fizeram feliz no passado e também para conhecer lugares novos, mas sabendo que eu tenho minha casinha para voltar <3

Ficar sem trabalhar ou até mesmo escrever aqui me mostrou o quanto eu sinto falta de interagir com pessoas, de descobrir e criar coisas novas e de inspirar quem está procurando por mudança. Esse blog é a melhor forma de fazer isso? Só o tempo dirá, mas eu vou tentar mais uma vez!

Se eu encontrei meu propósito? Acho que não. Ou talvez meu propósito na vida seja procurar por ele.

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19 Comments

  • Reply Priscila Gomes 22 de janeiro de 2017 at 07:35

    Gostaria de poder expressar o quanto eu estou feliz em te ver aqui novamente. Você é uma inspiração de vida. E embora eu até hoje não tenha tido a possibilidade nem de conhecer outros estados do Brasil, além de SP(sou do RJ), eu acompanhava aqui seus textos, suas histórias, e aquilo que você aprendia. E isso já era muito bom. Viajar é muito bom, mas sei que só podemos encontrar a felicidade dentro de nós… e você sempre mostrou isso, eu acho.
    Espero continuar te vendo por aqui!

  • Reply Fábia 22 de janeiro de 2017 at 11:16

    Que texto inspirador! Tirar um ano sabático sempre fez parte dos meus planos, mas depois de uma separação no final de 2015, 2016 foi um ano muito autoconhecimento e amadurecimento. Ainda quero esse ano sabático, mas decidi que irei adia-lo um pouco, porque no momento quero viajar sim, mas levando o meu trabalho pra explorar o mundo comigo.
    Muitas pessoas acham que vão encontrar todas as respostas do mundo viajando, só que não é bem por aí. Viajar é maravilhoso, mas não é a solução pra todos os nossos problemas.

    Muito feliz de te ver de volta aqui. bjs!!

  • Reply Lais Bluman 23 de janeiro de 2017 at 17:57

    Fernanda,

    organiza um encontro com seus leitores em NY!!! Eu irei com certeza!

  • Reply Tatiana 23 de janeiro de 2017 at 18:09

    Não costumo escrever em blogs ou em posts do Facebook, mas não posso deixar de registrar aqui que suas palavras sinceras são sempre reconfortantes.
    Em um mundo onde todos querem provar a sua felicidade, um pouco de realidade é um alento.
    Estou muito feliz pelo seu retorno, torcendo pela sua felicidade e ansiosa por seus textos.
    Bjs!

  • Reply Mariana Claro 23 de janeiro de 2017 at 19:01

    Te acompanhar via snap é uma delicia, mas tava com saudades dos seus textos Fe! Que bom q voltou! ❤

  • Reply Anna 23 de janeiro de 2017 at 21:22

    Fe,
    Estou muita feliz com a volta dos seus posts! Por favor, nao fica mais tanto tempo sem postar! Seus textos sao acessiveis e muito inspiradores! 😉

  • Reply Karen Pok 24 de janeiro de 2017 at 08:26

    Lindo texto, Fê! Espero que volte com o blog, adoro passar aqui e ver o que tem de novo 🙂 beijos e lindo 2017 pra você!

  • Reply cintia 24 de janeiro de 2017 at 15:06

    Puxa! qdo crescer quero ser igual tu! te amo sua linda, Deus te abençoe muito!

  • Reply ISABELLA MARTINS DE ALMEIDA 24 de janeiro de 2017 at 16:30

    Fê,
    Que bom que vc voltou! Adoro seus textos!
    E talvez o sentido da vida, seja procurar um sentido! hahaha
    Sucesso!

  • Reply Rafaela Pansere 24 de janeiro de 2017 at 23:38

    Acho que amo tanto seus textos por conta da sinceridade que sinto em suas palavras! Essa sinceridade de admitir que não tem todas as respostas, mas mesmo assim tenta passar o que já sabe, por que, talvez, sabe que de alguma forma pode ajudar alguém em algum lugar… Obrigado Fê! Continue, por favor. Beijão

  • Reply Bia 26 de janeiro de 2017 at 15:43

    Amei seu post!! Estou passando exatamente pela mesma coisa, mas eu ainda não sei o que posso fazer para mudar! Sei que mudar de país não vai ajudar e não é a resposta (pra mim), então ainda estou nessa busca, espero encontrar logo a resposta, pois a sensação se estar perdendo tempo é muito ruim! 🙁
    Por enquanto estou tentando me descobrir e fazer coisas novas, para ver se animo mais e vou levando a vida!

    Muito legal saber que não estou sozinha nessa hehe 🙂 sempre te acompanho no snapchat.

    bjão!

  • Reply Gleide Morais 3 de fevereiro de 2017 at 15:08

    Lembro que no passado eu vivi a tristeza que era voltar para a rotina pós viagem de férias – ou de feriado, fim de semana. Em algum momento – nunca parei para analisar quando -, isso mudou. Me divido em duas áreas diferentes de trabalho: uma fixa e outra empreendendo com todos os problemas comuns de quem trabalha para alguém e para si. Gosto de viajar para descansar, conhecer outros lugares e pessoas, tomar banho de mar e sinto saudades de voltar para casa e usar a energia adquirida nessas viagens em meu trabalho e na vida. Bom saber como foi sua experiência. E fico feliz em voltar a ler textos seus.

  • Reply Mariana 9 de fevereiro de 2017 at 19:18

    Nossa! Nem sei o que te dizer… ainda estou perdida nas suas palavras, me encontrando no meio das suas frases. Esse sentimento de busca é algo bom mas por vezes inquietante demais. Os meus três últimos anos foram incríveis e punk ao mesmo tempo…. Tanto descoberta, novos papéis na vida, vontade de me desconectar da influência de pessoas que amo muito, mas sem saber como fazer isso sem magoa-las. As vezes precisamos nos afastar para ter um visão melhor. Sinto exatamente isso, mas nem sempre é fácil conseguir se distanciar.
    Desculpa o desabafo… mas gostei muito do seu texto, da sua perspectiva. Acabei me sentindo à vontade de dividir um pouco da vida do outro lado da tela.
    Beijos e sigamos…
    Mariana. S. T.

  • Reply Maíra 13 de fevereiro de 2017 at 21:22

    Senhor, esse texto <3 sua vida <3
    meu 2016 não foi tão cheio de coisas ruins e nem boas, mas foram coisas que me fizeram refletir, pensar, e refletir mais um pouco. Eu vou ler com calma todos os textos seus, de como você largou tudo e foi viajar ahaha

    eu quero fazer uma viagem pra fora do país, por vários motivos. E com esse texto deu pra perceber que estou no caminho certo, sem expectativas de que a viagem vai fazer uma mudança totalmente drástica, vai me mudar, isso eu tenho certeza, mas acho que a vida é isso, continuar em busca do nosso propósito, e continuar mudando, evoluindo…

    amei seu texto <3

  • Reply Anderson Dino 6 de março de 2017 at 05:27

    Conheci seu blog quando me interessei pelo nomadismo digital, e comecei a procurar uns trabalhos freelas, e percebi o mesmo que você: trabalhava muito e recebia pouco. Aí mudei de planos por um tempo, reduzi minha carga de trabalho e passei a viajar mais, desde viagens curtas até road trips, e confesso, percebi que havia mais momentos felizes na vida do que eu achava. Você e seu blog foram inspiração para os bons momentos dos últimos anos. Some não! E parabéns! Que venham muitos outros momentos felizes.

  • Reply Bruna 3 de abril de 2017 at 16:40

    Fê, super me identifiquei! Descobri seu blog pesquisando sobre nomadismo digital também, enquanto estava num emprego que não me satisfazia. Não saí viajando nem sendo nômade por aí, Mas saí do emprego um mês antes de casar. E lendo seu texto (e sua newsletter) percebi que estou vivendo esse sabático também. Buscando novos “propósitos” de vida e carreira, me cobrando muuuuito por não estar trabalhando, sofrendo nisso também. E lendo outros textos seus sempre senti a sinceridade das suas palavras, por mostrarem a realidade como ela é, por exemplo de que a obrigação de mudar de cidade/país não estava te fazendo feliz. Muito louca essa vida que a gente leva, onde sempre se preocupam com o que você faz e não com quem você é ou o que te interessa e motiva e aprende. Há 8 meses sem trabalhar “oficialmente”, posso dizer que sim, surgiram muito mais perguntas e dúvidas, algumas certezas, muito medo de estar trilhando um caminho errado já que não é o da maioria, e embora todos perguntem, não, meu propósito ainda não apareceu saltitando pra mim, não está claro, não estou certa… E a luta continua. Boa sorte pra gente! Que seja sempre feliz! Te admiro muito!

  • Reply gusmao 5 de abril de 2017 at 12:53

    Belo texto!

  • Reply Aicha 6 de abril de 2017 at 10:25

    Obrigada por compartilhar sua história! Era realmente o que eu estava precisando ler hoje.
    Boa sorte e felicidades!

  • Reply Mari 24 de abril de 2017 at 10:40

    Sua mais nova fã, de volta em mais um post com mais um comentário kkkk
    Agora, apenas uma pergunta: antes do sabático, vc sentia a “necessidade de conhecer todos os lugares do mundo”? Sinto-me assim, não só por agora, mas desde que me entendo por gente! Kkkk
    Obs: “Se eu encontrei meu propósito? Acho que não. Ou talvez meu propósito na vida seja procurar por ele.” Amei isso! 😀
    Obs2: definitivamente preciso ler Comer Rezar Amar! 🙂 :p

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