O QUE ACONTECEU COM A AUTENTICIDADE?

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Vocês já repararam que sempre que queremos valorizar um objeto e garantir a sua qualidade, seja uma peça de arte, uma bolsa de um designer famoso ou uma jóia, os primeiros adjetivos que usamos é autêntico ou genuíno

Aprendemos a valorizar objetos que são legítimos, que têm história, características únicas e quanto mais raro e diferente, mais especial eles se tornam.

Na semana passada eu estava fazendo algumas pesquisas por causa de um novo projeto e, em vários momentos, fui impactada por notícias, vídeos e até um perfil no Instagram que me fizeram pensar justamente o contrário sobre o ser humano.

Parece que para ser cool, temos que cada vez mais nos encaixarmos em um padrão, ser igual a alguém, pertencer a um determinado grupo e isso está nos fazendo perder completamente nossa autenticidade, aquilo que nos torna únicos e diferentes de todos os outros habitantes desse planeta.

Fazendo uma breve busca no YouTube, me chamou atenção a quantidade de vídeos em que Blogueiras/ YouTubers tentam ensinar os seguidores a serem iguais a elas, a copiar suas fotos perfeitas no Instagram e até a conseguir mais seguidores. Dentre milhares, decidi clicar em um vídeo de uma blogueira gringa chamada Carly Cristman sobre como tirar boas fotos para o Instagram. 

Ela dá boas dicas sobre poses, sobre como pedir para estranhos tirarem fotos suas na rua e pasmem, até como produzir cenas que fazem a sua vida parecer algo que não é. Sabe como? Tipo usar um papel contact que parece mármore para criar uma superfície perfeita e sofisticada para fotos, assim, mesmo que você more numa república, suas fotos vão sair perfeitas (esse é o exemplo que ela dá no vídeo).

Já não é de hoje que o Instagram virou um lugar para exibir a vida que as pessoas gostariam de ter e não a que elas realmente têm. O que antes era uma ferramenta para guardar e compartilhar momentos que estavam acontecendo aqui e agora (Insta vem e instant), virou um catálogo de imagens perfeitas, altamente produzidas e retocadas e, muitas vezes, sem nenhuma personalidade. Parece que todo mundo só está aguardando seu feed ser descoberto para ficar milionário.

E, como tudo que prende a atenção das pessoas vira ferramenta de marketing, a rede social se tornou uma grande vitrine virtual, onde você pode comprar quase tudo o que está visualizando a um clique de distância.

Isso acabou incentivando ainda mais as “influencers” a criarem uma vida perfeita para ser compartilhada, já que isso vende, e vende muito. E, quanto mais seus seguidores as copiam, mais elas ganham dinheiro para produzir uma vida ainda mais perfeita e influenciar ainda mais pessoas.

Só que o quanto disso tudo que a gente vê passando pela nossa timeline é realmente verdade?

Eu nunca esqueço uma história que me chocou uns anos atrás. Eu seguia uma blogueira australiana chamada Jessica Stein, a @tuulavintage.

Ela era super descolada, estava sempre (SEMPRE) viajando para lugares incríveis e tirando fotos maravilhosas. Ela também tinha um estilo super simples e despojado que embora fosse produzido, parecia muito natural. É como se ela acordasse perfeita todos os dias sem nenhum esforço e passasse sua vida perambulando casualmente entre as praias mais lindas do mundo.

Um dia do nada ela anunciou que estava grávida de 7 meses. Não só isso, mas também que teve uma gravidez de risco, que esteve hospitalizada e que teve depressão nesse período. Eu fiquei em choque já que nos últimos 7 meses que eu acompanhei seu perfil, ele estava super ativo com fotos viagens e ela na sua versão não grávida como se aquilo estivesse acontecendo no momento em que a foto foi postada. Por 7 meses, 2 milhões e meio de pessoas acompanhavam uma vida fabricada especialmente para aquela rede social.

De forma alguma eu estou aqui para criticar ou dizer qualquer coisa sobre esse momento tão complicado da vida dela, ou que ela deveria ter se exposto desde o começo, etc. Pelo contrário, acho que as pessoas estão se expondo demais e isso também é parte do problema. Mas, não pude deixar de pensar que no momento em que as pessoas transformam a própria vida e imagem pessoal em um produto, acabam sendo quase que obrigadas a viverem 2 vidas, por conta de contratos e parcerias previamente fechadas.

Além disso, também passam a viver em função do que é mais interessante postar, já que esse mercado se tornou extremamente competitivo e é preciso se reinventar todos os dias para não perder audiência e relevância. Muitas escolhem os lugares que frequentam, as roupas que vestem, para onde viajam e até o que comem pensando no que vai render um bom conteúdo ou uma boa foto ou perdem momentos preciosos de conexão e intimidade com as pessoas próximas fazendo reality show da própria vida nas redes sociais.

Ao se exporem, não só se abrem à crueldade daqueles que não hesitam em criticar, apontar defeitos, julgar, mas também assumem uma enorme responsabilidade para com aqueles que por alguma razão as idolatram e querem viver a mesma vida que elas. 

Como ser autêntico no meio de tudo isso? Eu, honestamente, não sei.

É por isso que eu tenho me esforçado para filtrar ao máximo o conteúdo que eu consumo e o tempo que eu passo nas redes. É muito difícil se blindar de todos os estímulos que recebemos todos os dias, mas essa é uma das minhas metas e eu faço o possível para não esquecer.

Eu amo redes sociais, adoro compartilhar fotos bonitas e o que estou fazendo, mas também estou tentando prestar mais atenção antes de postar algo, penso se aquilo faz sentido para mim e se não vai me privar de viver o momento que está acontecendo aqui e agora e, principalmente se vai acrescentar alguma coisa à quem me segue. 

Também adoro acompanhar a vida de pessoas que me inspiram mas, atualmente, elas são cada vez mais reais e menos famosas. Gosto de gente autêntica, que vive uma vida de verdade com a qual eu me identifico. Adoro dicas, mas quero ter certeza de que a pessoa que está dando compartilha dos mesmos valores que eu e, no caso de estar sendo paga, que aquela dica faça sentido com a realidade que ela mostra no dia-a-dia. Quero acompanhar as conquistas, mas também os problemas e defeitos porque eles também me inspiram e exercitam a minha empatia.

E vocês, que dedicam parte do seu tempo tão precioso para me acompanhar, saibam que eu tento ser o mais transparente e verdadeira possível, não só aqui no site, mas também em todos os meus pontos de contato com vocês. Tudo o que eu quero é compartilhar algumas das minhas experiências e aprendizados para inspirar vocês a serem versões melhores de si mesmos e cada vez mais felizes com a vida!

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