O MUNDO PRECISA DESESPERADAMENTE DE PESSOAS FELIZES

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Eu amo maquiagem e, não sei se por causa da minha percepção seletiva, nas últimas duas semanas parece que só se falou disso nas minhas redes sociais.

Primeiro, foi a campanha da empresa americana especializada em maquiagem corretiva, Dermablend, que convidou pessoas que encontraram na maquiagem muito mais do que glamour, mas uma solução para um problema em suas vidas, a tirar a maquiagem em público expondo suas deficiências e encorajando os outros a fazerem o mesmo.

Depois, foi o manifesto público da blogueira americana Leandra Medine, a Man Repeller, em que ela conta como se sentiu ao ler um histórico de emails que dizia que ela era “ugly as fuck”, em português claro “feia bagarai”.

No texto, ela alega que mesmo recebendo críticas diárias em seu Instagram, ela não usa maquiagem por preguiça e também porque se sente confortável na própria pele e aprendeu a se amar do jeito que é.

E ontem, foi uma matéria publicada no site da revista Glamour, inspirada na edição comemorativa da Vanity Fair americana, que mostrava as apresentadoras Sabrina Sato e Ticiane Pinheiro e a atriz Paloma Bernardi sem maquiagem.

CARA-LAVADA1 cópiaAgora você deve estar se perguntando o que um blog sobre felicidade tem a ver com esse assunto, certo? Minha resposta é: TUDO!

Atualmente vivemos em uma era em que nossas vidas são públicas. Não importa se você é uma celebridade ou uma pessoa qualquer. Não importa se a sua vida é pública para todo o Brasil, para o mundo ou para os seus 250 amigos no Facebook.

Por causa da internet e das redes sociais, ficamos expostos o tempo todo e isso tem feito com que as pessoas sintam-se no direito de opinar, julgar e criticar tudo e todos, muitas vezes sendo mal educados e esquecendo que estão falando de seres humanos com problemas e inseguranças como qualquer um.

Eu também julgo, assim como você. E o que eu tenho percebido cada vez mais é que nossos julgamentos geralmente são projeções das nossas maiores inseguranças. Também temos uma tendência a achar que seremos julgados pelos mesmos valores que julgamos nas pessoas.

Quem já traiu, geralmente não deixa a namorada sair sozinha porque acha que ela também vai trair. Quem tem grana e julga as pessoas pelo que elas têm, geralmente se preocupa com status porque acha que é assim que as pessoas vão julgá-lo. Quem se aproveita do jeitinho brasileiro o faz porque acha que todo mundo faz também.

Vivemos criticando o uso abusivo do Photoshop, o culto aos padrões inatingíveis de beleza e de magreza. Quando elas aparecem lindas, saradas e retocadas em capas de revistas ou campanhas publicitárias, o comentário geral é: “é tudo Photoshop!“, “10 Kg de reboco“, “que adianta ter essa bunda se não tem nada na cabeça“, “não existe mulher feia, existe mulher pobre“. Isso acontece porque toda essa perfeição fabricada nos faz lembrar o tempo todo de como somos imperfeitos.

Mas, quando elas são pegas de surpresa em um aeroporto ou decidem abrir mão da própria vaidade e aceitam participar de algo para mudar essa percepção, sendo clicadas sem todo esse arsenal tão criticado por todo mundo, os comentários são ainda piores: “que horror, como são feias“, “nossa, a Sabrina parece que tem 120 anos“, “a Ticiane tem o olho torto” ou “o cabelo da Paloma está pronto pra guerra, todo armado“.

Quando julgamos que alguém é feia sem maquiagem, no fundo, estamos tentando nos sentir melhor porque provavelmente também não gostamos do que vemos no espelho. No caso dos homens (que também criticaram muito), provavelmente porque eles jamais vão pegar uma mulher como essa e, no fundo, sabem disso.

“Tudo que nos irrita nos outros pode nos levar a um entendimento de nós mesmos.”
– Carl Jung

Se cada um estivesse concentrado em se conhecer buscando ser uma pessoa melhor, teríamos muito mais gente feliz no mundo.

Gente feliz não julga os outros, justamente porque são totalmente confortáveis com suas escolhas e com o que são.

Gente feliz trata os outros com bondade, não falam mal nem se comparam com os outros.

Gente feliz aprende a ouvir e a se colocar no lugar das pessoas antes de falar delas. Não busca a aprovação dos outros e quando critica o faz de forma construtiva.

E é por isso que o mundo (e a internet) precisa desesperadamente de mais gente feliz!

Imagem: Jenny Meilihove

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